Miúcha NEWS




30 de setembro de 2008 | N° 15744
SHOW
“O show é como um filmezinho”
Entrevista: Miúcha, CANTORA E COMPOSITORA
Zero Hora – Como é sua relação com Os Cariocas?
Miúcha – Eu conheci Os Cariocas em 1965 e 1966, quando era casada com João Gilberto. Eles estiveram em Nova York, trabalharam com Quincy Jones, oferecemos uma feijoada para eles. Os Cariocas continuam soando tão modernos e tão chiques. Para montar o show, passei horas com o Severino (líder de Os Cariocas) ao telefone, muitas lembranças.
ZH – Como é o show?
Miúcha – Vou contando histórias das pessoas que fizeram a bossa nova. A bossa começou quando o Tom Jobim corria atrás do aluguel a noite toda, tocando piano nos bares de Copacabana. Parto desse momento, com Samba do Avião. E aí vem o movimento de Copacabana para Ipanema. Faço uma bem estilo Copacabana, Fotografia, e daí entra uma outra bem Ipanema, Carta ao Tom, e a gente começa a pensar nas paisagens urbanas e rurais. É como um filmezinho, pintamos o Rio daquela época.
ZH – Carlos Lyra disse que a bossa nova é uma música típica de classe média, porque é necessário que o público entenda um pouco de música. Concordas?
Miúcha – Não acho isso não. O lance é o que o João Gilberto fez com o violão, aquela coisa lúdica e surpreendente. Esse tipo de música, que associamos à bossa nova, espontaneamente sorri. Dá um sentimento agradável. A boa obra de arte não precisa de cultura. Ela bate em algum canal, que pode chamar de sentimento, mas isso desde que o homem é homem.
ZH – Porto Alegre é o último show da turnê nacional. Com tem sido a reação do público?
Miúcha – A resposta do público está muito boa, acho que vamos espichar o tour. É interessante que Tom e Vinicius, apesar de amigos, só se apresentaram juntos em duas ocasiões, no início dos anos 1960, justamente com Os Cariocas, e, mais tarde, em 1977, naquele show de Tom, Vinicius, Toquinho e eu.
ZH – Carlos Lyra criticou a presença da Fernanda Takai (da banda Pato Fu) em um dos shows de comemoração da bossa nova. Que achas?
Miúcha – Você sabe o que é muito chato na bossa nova? Ficou uma mania de dizer o que é bossa nova e o que não é. Eu acho maravilhoso que todo mundo misture tudo. É horrível ficar imitando bossa nova. É uma visão que diminui.
MIÚCHA
Lançou seu primeiro disco em 1975, ao lado de Stan Getz e de João Gilberto, então seu marido. Mas sua ligação com a bossa nova vem de antes, da amizade com Vinicius de Moraes e Tom Jobim, com quem excursionou em 1977 por vários países do mundo. A carioca de 70 anos é mãe de Bebel Gilberto.
zerohora.com

Sexta-feira, 26/09/2008
Divulgação/ Factoria Comunicação

Miúcha: música e bate-papo com o público para lembrar dos tempos da bossa nova
MÚSICA
Para lembrar a bossa eterna
Miúcha sobe ao palco do Teatro Positivo, acompanhada do Quarteto Bossa e de Os Cariocas para comemorar os 50 anos da bossa nova
Publicado em 26/09/2008 | MARCIO RENATO DOS SANTOS
Miúcha capitaneia uma homenagem à bossa nova neste domingo (28), no Pequeno Auditório do Teatro Positivo. Na primeira parte, ela se apresenta acompanhada do Quarteto Bossa, que aglutina os músicos Leandro Braga (piano), João Lyra (violão), Jamil Joanes (contrabaixo) e Ricardo Costa (baterista). Posteriormente, Os Cariocas entram em cena. E, ao final, Miúcha e Os Cariocas encerram o espetáculo.
"O roteiro é belíssimo." Assim Miúcha definiu o show, em entrevista à Gazeta do Povo. Clássicos como "Corcovado", "Samba do Avião", entre outros patrimônios musicais brasileiros, fazem uma espécie de radiografia de um Rio de Janeiro de 50 anos atrás. "Além das canções, também conto histórias e recupero a memória daqueles anos", diz. E ela conviveu – visceralmente – com alguns dos protagonistas do movimento musical brasileiro que mais obteve repercussão em âmbito planetário.
Na época em que a bossa nova fervilhava, Miúcha – filha do historiador Sérgio Buarque de Holanda e irmã de Chico Buarque – estava na Europa. "Meu envolvimento com a bossa nova se deu posteriormente." Ela foi viver em Nova Iorque e, em 1965, casou com João Gilberto, com quem teve a filha Bebel Gilberto – o casamento durou uma década. "Tom Jobim foi o meu melhor amigo. E o Vinicius de Moraes me ensinou a tocar violão", conta. Nuances desse passado serão reveladas ao público curitibano no show deste domingo, entre uma e outra canção.
Nova Iorque também foi cenário de uma feijoada, numa já longínqua década de 1960 – ocasião em que Miúcha conheceu os músicos de Os Cariocas. "Dividir o palco com esses músicos extraordinários, que já nos anos 1960 encantaram o maestro Quincy Jones, é um grande prazer", afirma Miúcha.
De outros tempos
Miúcha enfatiza que esse show também tem a finalidade de recuperar o "tempo" da época bossa-novista. "Entre as músicas, eu converso. Isso remete aos bate-papos que existiam naquela época, e que hoje parecem não ter mais espaço para acontecer." A percepção do presente, para Miúcha, é que hoje não há mais tempo. "Agora, estou sempre atrasada. Antes, entre outras coisas, sempre era possível pedir mais um chope." Na casa em que ela nasceu e cresceu, no bairro do Pacaembu, em São Paulo, a porta estava sempre aberta. "Papai (Sérgio Buarque de Holanda) me ensinou o que é a amizade. Apesar de muito erudito, ele valorizava os bate-papos, sem hora para terminar."
O show que acontece em Curitiba neste domingo faz parte do projeto Itaúbrasil, do Banco Itaú, que em 2008 presta homenagem aos 50 anos da bossa nova e que já patrocionou os shows de Caetano Veloso e Roberto Carlos em tributo a Tom Jobim, assim como as mais recentes apresentações de João Gilberto.

Caderno C
Porta-voz da bossa
/ MÚSICA / Miúcha faz show hoje em Campinas acompanhada do grupo vocal Os Cariocas

Bruno Ribeiro
DA AGÊNCIA ANHANGÜERA
bruno@rac.com.br
A cantora Miúcha não tinha como seguir outro caminho que não fosse o da música. Irmã de Chico Buarque e ex-mulher de João Gilberto, sua casa sempre foi freqüentada por grandes criadores da MPB, como Vinicius de Moraes e Tom Jobim. Deste último, aliás, ela diz ter sido a melhor amiga. Esta é a bagagem musical que a cantora leva ao palco hoje, em única apresentação no teatro do Centro de Convivência Cultural. Na ocasião, Miúcha fará uma homenagem aos 50 anos da bossa nova e será acompanhada pelo grupo vocal Os Cariocas. O show faz parte da turnê patrocinada pelo projeto Itaúbrasil.
Segundo Miúcha, o roteiro do show terá como suporte poético a obra de Tom e Vinicius, além de clássicos gravados por João Gilberto. A cantora foi a única artista brasileira a gravar e a dividir o mesmo palco com a “Santíssima Trindade” da bossa nova. “Tive o privilégio de conviver e trabalhar profissionalmente com estas figuras e posso dizer que elas moldaram não apenas meu gosto musical, mas também a minha visão de mundo”, diz ela, que prepara o lançamento de uma coletânea com gravações históricas ao lado de Tom, João e Vinicius.
O público que comparecer ao teatro na noite de hoje poderá reviver, na primeira parte do espetáculo, standards da bossa como Samba do Avião, Corcovado e Eu Sei que Vou Te Amar. O acompanhamento musical ficará por conta do Quarteto Bossa, composto por piano, violão, contrabaixo e bateria. Num segundo momento, o lendário conjunto Os Cariocas assume o comando do show. Na terceira e última parte, Miúcha e Os Cariocas cantam juntos uma seleção que culmina com Chega de Saudade, a canção que deu origem ao movimento.
Nascida no Rio de Janeiro e criada em São Paulo, Miúcha gravou seu primeiro disco em 1975, ao lado de João Gilberto e Stan Getz. The Best of Two Worlds foi produzido e lançado em Nova York, onde a cantora residia com João e a única filha do casal, Bebel Gilberto. Logo depois, iniciou uma parceria musical com Tom Jobim que se consolidou com o lançamento do LP Miúcha e Antonio Carlos Jobim, em 1977. Sua discografia é relativamente pequena, mas imprescindível dentro da história da MPB. Dias antes do show, a cantora concedeu entrevista ao Caderno C.
Agência Anhangüera de Notícias — Você foi a única cantora brasileira a gravar com João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Qual o significado desta experiência?
Miúcha — Tive o privilégio de conviver e trabalhar profissionalmente com estas figuras e posso dizer que elas moldaram não apenas meu gosto musical, mas também a minha visão de mundo. Considero que seja a “Santíssima Trindade” da bossa nova, de modo que me sinto imensamente grata ao destino quando me lembro que gravei com eles. Acho que realizei o sonho de toda intérprete brasileira, não é mesmo?
E como era a convivência cotidiana com eles? Como você os via?
Eu era criança e Vinicius já freqüentava a minha casa. Tomei um susto quando descobri que o mesmo Vinicius da bossa nova era o Vinicius que conversava com meu pai, que brincava comigo, que tocava violão na sala (risos). A influência do poeta é total na minha vida. Tom Jobim conheci mais tarde e me tornei sua melhor amiga. Eu adorava sentar ao lado dele, no bar, e ficar escutando sua conversa. Eu achava tão bonito o jeito que ele falava da mulher, da natureza, do Brasil... Sem dúvida, foi meu grande mestre. João Gilberto não tinha a cultura formal dos dois, mas compensava com muita sensibilidade e intuição. Ele tinha uma formação humanista que me cativava. Até hoje os vejo como mitos.
Qual é a sua canção preferida?
Pela Luz dos Olhos Teus, do Vinicius de Moraes. É uma das poucas canções com letra e música do Vinicius. Se tornou obrigatória nos meus shows.
SAIBA MAIS
O quê: Miúcha e Os Cariocas - A cantora e o grupo vocal apresentam show em homenagem aos 50 anos da bossa nova
Quando: Hoje, às 21h
Onde: Teatro do Centro de Convivência (Praça Imprensa Fluminense, s/n, Cambuí, fone: 3232-04168)


Seção : Música - 16/09/2008 12:21

Miúcha e Os Cariocas comemoram a eternidade da bossa nova
50 anos depois de João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, músicos chamam a atenção do mundo para a arte brasileira

"Tem gente que chora ao assistir ao show. Não entendo por quê. Talvez seja saudade de um tempo feliz que, sem perceber, deixamos passar"
“É show para comemorar a eternidade da bossa nova, não só os 50 anos dela”, avisa a cantora Miúcha, que se apresenta terça-feira, às 21h, no Teatro Sesiminas, para celebrar a mais internacional e charmosa das invenções brasileiras. “Essa música muda o nosso estado de espírito, te coloca de bem com a vida, faz você se sentir bem”, completa. Miúcha se espanta com o fato de que, duas décadas atrás, havia gente que tratava a bossa como algo antigo e superado.
“Tem gente que chora ao assistir ao show. Não entendo por quê. Talvez seja saudade de um tempo feliz que, sem perceber, deixamos passar”, observa Miúcha. A cantora divide o palco com companheiros ilustres: o grupo vocal Os Cariocas. “Um luxo. Eles têm harmonias originais que, quando você ouve, leva um susto em ver como são modernas”, afirma.
No repertório, clássicos: Copacabana, Corcovado, Samba do avião, Eu sei que vou te amar, Chega de saudade.
Apresentados por artistas que viram a bossa nova nascer. São não só íntimos de João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, como participaram de shows e gravações históricas dessas estrelas da MPB. A seleção das músicas foi feita por Miúcha. “É um gênero muito carioca. Nas canções estão a paisagem do Rio de Janeiro, os botequins, o viver ao ar livre, a sensualidade de qualquer cidade que tem praia e a informalidade que contribui para a grande liberdade musical que temos”, conta ela. A geografia afetiva do movimento passa por Copacabana, onde ele nasceu, reduto da boêmia nos anos 1940 e 1950. Mais tarde, mudou-se para Ipanema.
Para Miúcha, João Gilberto criou a bossa nova. “Foi o modo dele de cantar e de tocar que deu outra forma a composições que pareciam antigos sambas-canções”, explica. Tempero essencial, acrescenta, veio do poeta Vinicius de Moraes: “Ele deu upgrade nas letras, trocando o vocabulário empolado pelo coloquial”. Tom Jobim é mestre do ofício, mas, com composições “que são encontro do clássico com o popular”, extrapolou o gênero. É do maestro a canção que Miúcha adora cantar: Águas de março. “Um resumo da brasilidade nos mínimos detalhes, feito por brasileiro que tanto olha o horizonte como o chão”, define ela. Terça-feira à noite, essa canção de Jobim fará parte do roteiro, por revelar encanto pela natureza, pelo mato. Paisagem diferente do cenário urbano, tão típico da bossa nova.
ALEGRIA
“Não é show histórico, nem didático, mas alegria de reunir pessoas em clima de bossa nova. Canto com enorme carga afetiva, pois tive relacionamento muito próximo com os autores, sei dos textos subliminares, pois bebi direto da fonte”, conta. Com relação a seu canto, explica que não teve nenhum mestre. “Já nasci cantando”, brinca a irmã de Chico Buarque e da cantora Cristina Buarque, ex-mulher de João Gilberto e mãe de Bebel Gilberto.
Inicialmente, Miúcha queria ser Elizeth Cardoso. Faz pausa e acrescenta: “Deve-se a Vinicius de Moraes a contribuição mais decisiva para a presença da música lá em casa. Amigo de seu pai, o intelectual Sérgio Buarque de Hollanda, foi o poeta quem lhe ensinou acordes de violão. “Quando Vinicius aparecia, todo mundo já sabia que ia ser música direto”, relembra.
JOÃO
Em 1958, Elizeth Cardoso lançou disco com canções de uma dupla de jovens compositores: Tom Jobim e Vinicius de Moraes. O primeiro, responsável pelos arranjos, convidou certo violonista em início de carreira para se integrar ao grupo: João Gilberto. Ele participou de apenas duas faixas: Outra vez e Chega de saudade. Mas a bossa – nova – daquele baiano não passaria despercebida. Reza a lenda que João tentou convencer Elizeth a cantar de outro jeito, mas não conseguiu.
A bossa nova, mesmo, só seria apresentada em disco em 1959. Ali João Gilberto fez tudo como queria, inclusive regravando Chega de saudade. Nascia, então, o gênero musical que conquistaria o mundo, um sambinha suave e delicado, com jeitinho de jazz. “É música criada aqui, que correu o mundo levando o nome do Brasil, é motivo para levantar a nossa auto-estima”, afirma Miúcha.
Para a cantora, o melhor presente que a bossa poderia ganhar, ao fazer 50 anos, seria o lançamento dos três primeiros discos de João Gilberto, fora de catálogo com problemas jurídicos. “São obras imprescindíveis, revolucionárias”, garante. O momento em que se comemora a “data histórica”, para a cantora, deveria trazer mais consciência sobre a importância da música para a cultura brasileira.
MIÚCHA E OS CARIOCAS
Terça-feira (16/09), às 21h. Teatro Sesiminas, Rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia, (31) 3241-7181. O show integra o projeto Itaú Brasil, que apresentou espetáculos com João
Gilberto, João Donato, Roberto Carlos e Caetano Veloso para comemorar os 50 anos da bossa nova.

Cantora se apresenta hoje na cidade, juntamente com Os Cariocas, em tributo aos 50 anos do movimento
Miúcha revê a bossa em BH
Daniel Barbosa
"Chega de Saudade", a música de Tom e Vinicius que João Gilberto gravou e que se tornou, possivelmente, o maior emblema da Bossa Nova, é uma expressão que cai como luva neste momento em que se comemoram os 50 anos do movimento musical brasileiro de maior repercussão no exterior.
Com a pletora de eventos que celebram o gênero, não há, com efeito, razão para saudades. Hoje Belo Horizonte recebe o show com que Miúcha e o grupo Os Cariocas estão circulando pelo país (a turnê cobre oito cidades), a bordo do projeto Itaúbrasil - o mesmo que promoveu o encontro de Caetano Veloso e Roberto Carlos cantando a música de Tom Jobim e também um tributo a João Donato. O repertório que a cantora vai apresentar logo mais é baseado no disco "Outros Sonhos", que lançou no ano passado e que focaliza a obra de Tom, Vinicius e Chico Buarque.
Trata-se de um roteiro musical sobre o qual Miúcha tem absoluta propriedade, já que, como ela mesma recorda, foi a única cantora brasileira a trabalhar, dividindo o palco em shows e também em gravações, com os três pilares da bossa nova - Tom, Vinicius e João -, além, é claro, de seu irmão, Chico. "São os compositores que mais cantei na vida e este é o momento propício para rever essa relação histórica. Além do disco lançado no ano passado, está saindo agora um outro trabalho que compila as gravações que fiz com João, Tom e Vinicius. Acho que sou a única cantora que teve esse privilégio de conseguir cantar com os três", diz, detalhando que na apresentação de hoje são certas a presença de músicas como "Samba do Avião", "Carta ao Tom", "Corcovado" e "Águas de Março".
Ela sobe ao palco do teatro Sesiminas primeiro acompanhada por sua banda. No meio, a cantora sai e cede o espaço para Os Cariocas. Ao final, todos se juntam na interpretação das clássicas "Chega de Saudade", "Se Todos Fossem Iguais a Você" e "Estamos Aí". "No que diz respeito à minha parte, pensei num roteiro que começa contando um pouco a história e a geografia do Rio de Janeiro, que é o berço da bossa. Vou fazendo essa costura e depois passo a bola para os Cariocas, que já chegam arrasando com ‘Minha Namorada’ e os arranjos do Baden Powell", diz, sem economizar elogios ao grupo que também esteve no cerne do movimento. "É um dos conjuntos mais antigos do Brasil e do mundo e continuam soando muito modernos. É impressionante como eles usam bem as dissonâncias", diz.
Sobre sua história com os três artífices da Bossa Nova, ela diz que rendeu momentos que se tornaram marcos de sua carreira, como o disco que registra o seu encontro, em show, com Tom, Vinicius e Toquinho. "Apesar de terem sido grandes parceiros a vida toda, Tom e Vinicius só se encontraram no palco duas vezes. A primeira foi no Au Bon Gourmet, em 1962, com o João Gilberto e os Cariocas. A segunda foi 17 anos depois, comigo e com o Toquinho. Aquela apresentação, aliás, é um referência para esse show que estamos fazendo agora pelo Itaúbrasil. Como naquela ocasião, a gora a gente conversa muito com o público, conto histórias da Bossa Nova, do Tom, do João, do Vinícius. Numa segunda parte do meu show, faço as coisas do Chico, ‘Maninha’, ‘João e Maria’ e as parcerias dele com o Tom, como ‘Anos Dourados’, que acho um primor, e ‘Eu Te Amo’, numa versão em francês que o próprio Chico fez", adianta.
Miúcha considera que o principal legado da Bossa Nova foi a projeção que ela deu à música brasileira no exterior. "Foi algo que extrapolou as fronteiras do país com muita força porque aconteceu uma grande confluência de talentos. O João Gilberto chegou com a grande novidade, que era aquela maneira única de tocar o violão. Falar em batidinha da bossa é uma maneira de simplificar a coisa porque é realmente outra instância, quer dizer, tem muito mais coisa ali do que ritmo. O Tom transcendeu a bossa, porque era um compositor maravilhoso, completo. O Vinicius trouxe sofisticação para as letras da MPB, apesar de, muitas vezes, escrever como se fala numa roda de conversa. Mas são conversas incríveis", aponta.
AGENDA o que: Show com Miúcha e Os Cariocas quando: Hoje, às 21h onde: Teatro Sesiminas (rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia, 3241-7181)
Bossa
Os Cariocas têm lastro histórico com o movimento
Daniel Barbosa
Se não faltam à Miúcha todas as credenciais para conduzir a homenagem à Bossa Nova que o projeto Itaúbrasil propõe, o mesmo se pode dizer em relação ao grupo Os Cariocas. Formado por Eloi Vicente (violonista, quarta voz e solos vocais), Neil Teixeira (baixista e terceira voz), Hernane Castro (baterista e segunda voz) e Severino Filho (arranjador, pianista e primeira voz), o único remanescente das primeiras formações, o conjunto acompanhou Tom Jobim, Vinicius de Moraes e João Gilberto nos históricos shows da boate Au Bon Gourmet, em 1962. A partir daquele momento, o grupo gravou vários discos de bossa nova, inclusive nos Estados Unidos, com produção do maestro Quincy Jones.
Uma das principais características do quarteto, conforme Miúcha destaca, é o moderno sistema de distribuição das quatro vozes – algo inédito em conjuntos brasileiros e que constitui a grande personalidade d’ Os Cariocas. Formado no Rio de Janeiro em 1942, o conjunto vocal se destacou no cenário nacional já naquela década por misturar a polifonia do canto com efeitos rítmicos. Influenciados por outros grupos vocais pregressos, como o Bando da Lua, o Anjos do Inferno e o Quatro Ases e um Coringa, Os Cariocas estrearam no programa de calouros comandado por Renato Murce, na rádio Mundial.
Posteriormente eles se apresentaram ao então diretor da rádio Nacional, Radamés Gnattali, e foram contratados em 1946 para participar do programa “Um Milhão de Melodias”. Os Cariocas ficaram como grupo residente da rádio Nacional por 20 anos. Outro marco na relação do conjunto com a Bossa Nova foi uma das primeiras gravações de “Chega de Saudade”, que contou, inclusive, com o acompanhamento, ao violão, do próprio João Gilberto. Começava aí a intensa relação do quarteto com o gênero que, naquele momento, já repercutia mundialmente.
Nos anos 60, Os Cariocas gravaram uma série de seis discos integralmente dedicados à bossa nova: “A Bossa dos Cariocas”, “Mais Bossa com Os Cariocas”, “A Grande Bossa dos Cariocas”, “Os Cariocas de 400 Bossas”, lançado por ocasião dos 400 anos do Rio de Janeiro, “Arte / Vozes” e “Passaporte”. Com o público crescente no Brasil, o sucesso do grupo chegou aos Estados Unidos, onde os integrantes conheceram o maestro Quincy Jones. Foi ele quem conduziu a estréia do conjunto nos Estados Unidos, com o lançamento de “Introducing The Cariocas”, que trazia uma seleção de músicas representativas do gênero produzida por Jones.
O grupo entrou em recesso no final dos anos 60, mas retomou a carreira há duas décadas e segue se apresentando pelo Brasil e exterior.
Em 1997, Os Cariocas lançaram o CD “A Bossa Brasileira”, indicado para o prêmio Sharp. No ano seguinte o grupo fez shows em Miami ao lado de Leny Andrade, Wanda Sá e Roberto Menescal, e ainda em 1999 participou em uma faixa do CD “Crooner”, de Milton Nascimento. Em 2001 chegou ao mercado o disco “Os Clássicos Cariocas”, vencedor do prêmio Caras na categoria grupo de MPB. Em 2002 o conjunto esteve no Japão e nos Estados Unidos para promover o lançando do CD “oscariocas.com.bossa”, indicado para o prêmio TIM.
Em 2003, com show realizado em Montevideo, o grupo foi convidado para retornar ao país e se apresentar com a Orquestra Filarmônica daquela cidade. Em 2004, o conjunto foi convidado a participar dos festejos do Dia da Independência em Assunção, no Paraguai.






11/09/2008
Miúcha volta a Brasília para encontro com Os Cariocas
Irlam Rocha Lima
Do Correio Braziliense
Miúcha era criança quando conheceu Vinicius de Moraes, um dos pilares da bossa nova. O poeta era amigo do sociólogo e historiador Sérgio Buarque de Holanda – pai da cantora – a quem visitava sempre que ia a São Paulo. “A presença de Vinicius em nossa casa era motivo de festa, de muita música e de alegria”, lembra. “Foi ele que nos fez conhecer a mim e aos meus irmãos a música de Noel Rosa e de Ary Barroso”.
Tempos depois, estudante de história da arte na Sorbone e na École de Louvre, em Paris, Miúcha foi apresentada, pela compositora chilena Violeta Parra, a João Gilberto, outro expoente do movimento. Não demorou para os dois se casarem e se tornarem pais da cantora Bebel Gilberto. “Mais tarde, de volta ao Rio de Janeiro, registrei minha voz pela primeira vez em disco ao gravar Boto, no LP Urubu, de Tom Jobim”, recorda-se.
Recentemente, Miúcha esteve em Brasília e se apresentou na Caixa Cultural, com o show do disco Outros sonhos, no qual interpreta canções de Tom, Vinicius e do irmão Chico Buarque – algumas delas gravadas anteriormente por João Gilberto. Pela Sony BMG, acabou de sair outro álbum da cantora, coletânea reunindo gravações em que faz duo com João, Tom e Vinicius. Em breve, chegará às bancas de jornal outro disco com músicas interpretadas por ela – parte de uma coleção sobre a bossa nova, coordenada pelo biógrafo Ruy Castro.
Vivendo bom momento na carreira artística, Miúcha foi convidada para participar do Itaúbrasil, projeto comemorativo do 50 anos da bossa nova, que já promoveu shows em homenagem a João Donato, a Tom Jobim (reunindo Caetano Veloso e Roberto Carlos) e o que trouxe João Gilberto de volta ao palcos. Ao lado de Os Cariocas, ela cumpre turnê que a traz hoje à capital em show, às 21h, na Sala Martins Pena. Depois, eles seguem para Goiânia, Belo Horizonte, Campinas, Ribeirão Preto, Curitiba e Porto Alegre. A cenografia tem assinatura de Isabelle Bitencourt.
Tanto a cantora quanto o grupo terão momentos solos no show, mas juntarão as vozes na abertura, quando interpretarão Isaura (Roberto Riberti) e, no final, no pot-pourri formado por Estamos aí (Regina Werneck, Maurício Einhorn e Durval Ferreira), Se todos fossem iguais a você e Chega de saudade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes).
Festa em família
“Fiquei feliz quando recebi o convite. Esse encontro é uma dessas coincidências da vida. Os Cariocas foi o grupo que estava ao lado de Tom, Vinicius e João Gilberto no histórico no bar e restaurante Au Bon Gourmet, em 1962. Quinze anos depois, foi a minha vez de estar junta com Tom, Vinicius e Toquinho, em espetáculo que faz parte da história do Canecão. Agora, vou dividir o palco com Os Cariocas”, comemora.
Acompanhada por Leandro Braga (piano e arranjos), João Lira (violão), Jamil Joanes (baixo) e Ricardo Costa (bateria), a cantora passeará por repertório que inclui Falando de amor, Samba do avião, Eu sei que vou te amar, Corcovado (Tom e Vinicius), Águas de março (Tom Jobim) e Pela luz dos olhos teus (Vinicius de Moraes), ouvida na interpretação de Miúcha e Tom Jobim, na abertura da novela Mulheres apaixonadas, reapresentada no Vale a pena ver de novo. “Essa é a primeira vez que dividimos o palco com Miúcha. Para Os Cariocas, vai ser uma experiência maravilhosa”, festeja Severino Filho, líder, arranjador, pianista e primeira voz do grupo, integrado por Eloi Vicente (violão, quarta voz e solos vocais), Neil Teixeira (baixo e terceira voz) e Hernane Castro (bateria e segunda voz).
Uma das grandes referências da bossa nova, o grupo Os Cariocas, com mais de 60 anos de carreira, foi criado por Ismael Neto (irmão de Severino) na década de 1940. Fez escola na arte de criar arranjos vocais. Uma das primeiras gravações foi a de Chega de saudade, tendo João Gilberto ao violão. Depois, seria o primeiro a gravar Minha namorada (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes) e Ela é carioca, “que Tom e Vinicius fizeram para nós”, revela. Ambas estarão no roteiro do show da Martins Pena.
Severino ficou emocionado ao saber que no show no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, João Gilberto fez referência elogiosa ao Os Cariocas. “Na década de 1960, estávamos em Nova York e fomos convidados por João e Miúcha para feijoada na casa deles. Naquela tarde, João sugeriu que voltássemos cantar Tintim por tintim (Geraldo Jacques e Haroldo Barbosa). No show do Municipal, ele cantou depois de falar sobre a gente”,emociona-se.

Na Bossa com magia e carisma
Ícone da Bossa Nova, a cantora Miúcha fala sobre o gênero e o encontro com Os Cariocas
Personalidades da história da Bossa Nova, Miúcha e Os Cariocas dividiram, em situações distintas, o palco com a tríade maior do gênero: Tom, Vinicius e João. “Sou a única cantora que fez esse show. Eles também, no Al Bon Gourmet. Só nós tivemos esse privilégio”, frisa. Esta e outras histórias foram contadas em um álbum recém-lançado com “a trilha sonora dos grandes momentos da minha vida”, além depoimentos, “não-didáticos, mas engraçados”. Agora, à convite do projeto Itaúbrasil, eles celebram os 50 anos da Bossa Nova.
Prometendo levar um pouco destas histórias ao TJA e à turnê que começa hoje em Fortaleza, a bossanovista pretende superar um imprevisto de última hora: “fui colocar comida para o gato, me desequilibrei e caí, fraturando o pé”. Mesmo assim, na companhia de Leandro Braga (piano e direção musical), João Lyra (violão), Jamil Joanes (baixo) e Ricardo Costa (bateria), além d’ Os Cariocas em alguns momentos, ela pretende estar toda prosa. “Vai ser tudo em cima da hora. Vamos fazer o ensaio geral aí, com uma adrenalina especial: medo e tesão”, diz a cantora.
Miúcha pretende fazer o mesmo final do show com Vinicius, Tom e Toquinho, em 77. “Pedi pro Severino fazer uns lances para ‘Chega de Saudade’, vai ficar um luxo”. E o fundador dos Cariocas? “Severino é uma coisa, que arranjos... Até hoje são modernos, cheios de dissonâncias”, ressalta. Autora do roteiro do show, ela conta que será feito um desenho do Rio de Janeiro “do morro, de ‘Corcovado’ e ‘Águas de Março’, e Copacabana, onde nasceu ‘Fotografia’. Paisagens do Rio de Janeiro. Canto a parceria e uma obra que não é do Baden, mas que ele adotou, ‘Gente Humilde’, de Garoto, Vinicius e Chico. Daí passo a bola pros Cariocas, ‘Berimbau’, ‘Pra que chorar’...”, pontua, citando ainda “Anos Dourados”, “Eu te amo”, de Tom e mano Chico, e outras “menos ouvidas”: de Chico e Cristóvão Bastos, “Todo Sentimento”. “A intenção é se divertir no palco”.
Severino, João, renovação
“Conheci Severino no Johnny Carson. João era fã, empresário deles. Esse encontro vai ter um carinho todo especial. Foi uma época de músicas divinas, muita alegria”. Miúcha lembra que o show com Vinicius, Tom e Toquinho teria continuidade, se o Poetinha não resolvesse aprontar sua última. “Coloquei o mesmo final com Os Cariocas: ‘Chega de Saudade’, ‘Se todos fossem Iguais a Você’ e ‘Estamos Aí’. Tô dando uns retoques, mas esse final tá certo”, precisa.
A renovação do público e da própria Bossa Nova não passa despercebida. “A Bebel (Gilberto, filha dela e João Gilberto) botou na língua mais pop, da geração dela”. Miúcha percebe o interesse dos joven pelas histórias da Bossa. “A música chata dos anos 90 se esgotou. Tá na hora de celebrar uma música de qualidade que rompeu as fronteiras do Brasil. Bebel fez isso um pouco”, diz, citando ainda o produtor Suba, falecido há alguns anos, e as composições de Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante, do Los Hermanos, além da nipo-brasileira Lisa Ono, na renovação da Bossa. “Na estética acariciante, cool, do som da Bossa, não tem quem cante tão bem como ela”.
Sobre o projeto diz que “é preciso instigar o público a conhecer, tudo é válido”. Então, valeu também o encontro entre Roberto Carlos e Caetano Veloso que, junto ao show de João Gilberto, marcou a etapa anterior das comemorações dos 50 anos da bossa, promovidas pelo Itaú. “Eles são grandes cantores”. E o João? “Rever João no palco foi sem comentário. Você vê como essa arte é refinada, tem uma magia que ninguém tem”.
HENRIQUE NUNES
Repórter

Abraços e beijinhos
Tiago Coutinho da Redação
Fortaleza entra na onda de comemoração dos 50 anos de Bossa Nova. A cantora Miúcha divide o palco do Theatro José de Alencar, hoje, com o quarteto Os Cariocas. Eles fazem única apresentação com um repertório apaixonante
Miúcha faz única apresentação hoje, no Theatro José de Alencar, acompanhada da grupo Os Cariocas (Divulgação)
Não há dúvidas. 2008 é o ano da Bossa Nova. Ao coroar meio século de música, as comemorações tornam-se intensas, com pomposas apresentações. João Gilberto retorna aos palcos, Caetano Veloso e Roberto Carlos se encontram pela primeira vez para cantar Tom Jobim. João Donato recebe homenagem de vários intérpretes mais novos. "Isso tá sendo muito bom. Aqui, no Brasil, a Bossa tava um pouco renegada ao segundo plano. Agora, temos muito trabalho para todo este ano e pelo jeito vai respingar em 2009 também", comemorar Severiano Jr, pianista do quarteto Os Cariocas.
Ele e mais três amigos são os ilustres convidados da cantora Miúcha. Juntos, embarcam nessa comemoração e iniciam hoje uma turnê de homenagem à bossa pelo Brasil. A primeira capital a receber a apresentação é Fortaleza. Ela acontece, às 21 horas, no palco principal do Theatro José de Alencar. Até o fim do mês, seguem por Brasília, Goiânia, Belo Horizonte, Campinas, Ribeirão Preto, Curitiba e Porto Alegre. "Eu sinceramente não sei por que vamos começar por Fortaleza, mas eu fico muito feliz, porque é uma cidade que eu adoro. Infelizmente não poderei ficar mais tempo", saúda a cantora. Um diferencial do logo mais é que Miúcha sobe ao palco com a perna engessada. "Fui botar comida para o meu gato, bati na parede e quebrei três ossos do pé. Essas coisas acontecem, a gente só nunca acha que acontece com a gente. Mas vamos lá, tem que ter o show, né?", fala bem-humorada.
No palco, Miúcha leva parte de seu humor e charme. Aos 70 anos, ela possui no currículo algumas pérolas da qual, muito justamente, se orgulha. Aprendeu os primeiros acordes de violão com ninguém menos que o poetinha desafinado Vinícius de Moraes. "Isso foi bem antes da Bossa Nova. Quando surgiu a Bossa, eu perguntei: é esse mesmo o Vinícius que a gente conhece que vem aqui em casa? O grande poeta da Bossa Nova? Então ele é mais importante do que a gente pensava", ri.
Se já não fosse pouco ter tido aulas com o poeta, ela também ensinou ao seu irmão, Chico Buarque, a tocar violão. É mãe de Bebel Gilberto, a filha do João, seu ex-marido. A vida de Miúcha, que na certidão de nascimento, chama-se Helena Buarque de Hollanda, se confude com momentos de farras, boemia e muita música. Para arrematar a trajetória, ela gaba-se por ser a única cantora no Brasil a ter gravado com o trio João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Morais. Para poder ratificar essa lembrança, a cantora está lançando em breve, pela Sony&BMG, a coletânea Miúcha com Vinícius, Tom e João.
Essa mulher-monumento, além da companhia de Os Cariocas, traz para o palco sua banda e promete um encontro de diversos músicos. Um dos motivos para a cantora convidar o quarteto para encarar essa turnê foi o fato de aproveitar o momento comemorativo e reforçar a importância da cultura de grupos, cada vez mais escassos. "Os Cariocas têm muitas histórias para contar, eu tô insistindo para que eles contem no show", confessa.
O show promete ser carregado de nostalgia com inúmeras músicas que celebram a Bossa Nova e a saudosa Rio de Janeiro. Músicas como Corcovado, Eu Sei que Vou Te Amar, Samba do Avião e Fotografia, entre outros sucessos estão garantidas no repertório. "Queira ou não queira, na Bossa Nova, o público quer ouvir aquilo que ele já conhece. O povo quer fazer CDs com músicas de Bossa Nova inéditas, eu sou contra", comenta Severiano Jr. Na expectativa, o integrante mais antigo do grupo acredita que a turnê será um grande sucesso. "Miúcha é maravilhosa. O grupo dela é muito bom, canta nossos arranjos. Nós já nos conhecíamos, mas vamos tocar juntos pela primeira vez. Bossa Nova é uma música mundial. Torna-se mais fácil afinar os arranjos", afirma.
Não há dúvidas que o encontro desses grandes músicos, formalmente coloquiais, será muito afinado. O momento, para Miúcha, é só de celebrar e comemorar. "Tá sendo ótimo. Tá proporcionando aos artistas mostrarem o seu show. O público pode assistir coisas muito bonitas, também. Eu fico muito feliz porque mostra que está havendo uma cuidado com o maior patrimônio cultural brasileiro que é a nossa música, sem dúvida. É o reconhecimento do artista", comemora.

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