Miúcha NEWS


CARNAVAL EM RECIFE -PERNAMBUCO
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30 de setembro de 2008 | N° 15744

SHOW

“O show é como um filmezinho”

Entrevista: Miúcha, CANTORA E COMPOSITORA


Zero Hora – Como é sua relação com Os Cariocas?

Miúcha – Eu conheci Os Cariocas em 1965 e 1966, quando era casada com João Gilberto. Eles estiveram em Nova York, trabalharam com Quincy Jones, oferecemos uma feijoada para eles. Os Cariocas continuam soando tão modernos e tão chiques. Para montar o show, passei horas com o Severino (líder de Os Cariocas) ao telefone, muitas lembranças.

ZH – Como é o show?

Miúcha – Vou contando histórias das pessoas que fizeram a bossa nova. A bossa começou quando o Tom Jobim corria atrás do aluguel a noite toda, tocando piano nos bares de Copacabana. Parto desse momento, com Samba do Avião. E aí vem o movimento de Copacabana para Ipanema. Faço uma bem estilo Copacabana, Fotografia, e daí entra uma outra bem Ipanema, Carta ao Tom, e a gente começa a pensar nas paisagens urbanas e rurais. É como um filmezinho, pintamos o Rio daquela época.

ZH – Carlos Lyra disse que a bossa nova é uma música típica de classe média, porque é necessário que o público entenda um pouco de música. Concordas?

Miúcha – Não acho isso não. O lance é o que o João Gilberto fez com o violão, aquela coisa lúdica e surpreendente. Esse tipo de música, que associamos à bossa nova, espontaneamente sorri. Dá um sentimento agradável. A boa obra de arte não precisa de cultura. Ela bate em algum canal, que pode chamar de sentimento, mas isso desde que o homem é homem.

ZH – Porto Alegre é o último show da turnê nacional. Com tem sido a reação do público?

Miúcha – A resposta do público está muito boa, acho que vamos espichar o tour. É interessante que Tom e Vinicius, apesar de amigos, só se apresentaram juntos em duas ocasiões, no início dos anos 1960, justamente com Os Cariocas, e, mais tarde, em 1977, naquele show de Tom, Vinicius, Toquinho e eu.

ZH – Carlos Lyra criticou a presença da Fernanda Takai (da banda Pato Fu) em um dos shows de comemoração da bossa nova. Que achas?

Miúcha – Você sabe o que é muito chato na bossa nova? Ficou uma mania de dizer o que é bossa nova e o que não é. Eu acho maravilhoso que todo mundo misture tudo. É horrível ficar imitando bossa nova. É uma visão que diminui.

MIÚCHA

Lançou seu primeiro disco em 1975, ao lado de Stan Getz e de João Gilberto, então seu marido. Mas sua ligação com a bossa nova vem de antes, da amizade com Vinicius de Moraes e Tom Jobim, com quem excursionou em 1977 por vários países do mundo. A carioca de 70 anos é mãe de Bebel Gilberto.

zerohora.com

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Caderno G

Sexta-feira, 26/09/2008

Divulgação/ Factoria Comunicação


Miúcha: música e bate-papo com o público para lembrar dos tempos da bossa nova

MÚSICA

Para lembrar a bossa eterna

Miúcha sobe ao palco do Teatro Positivo, acompanhada do Quarteto Bossa e de Os Cariocas para comemorar os 50 anos da bossa nova

Publicado em 26/09/2008 | MARCIO RENATO DOS SANTOS

Miúcha capitaneia uma homenagem à bossa nova neste domingo (28), no Pequeno Auditório do Teatro Positivo. Na primeira parte, ela se apresenta acompanhada do Quarteto Bossa, que aglutina os músicos Leandro Braga (piano), João Lyra (violão), Jamil Joanes (contrabaixo) e Ricardo Costa (baterista). Posteriormente, Os Cariocas entram em cena. E, ao final, Miúcha e Os Cariocas encerram o espetáculo.

"O roteiro é belíssimo." Assim Miúcha definiu o show, em entrevista à Gazeta do Povo. Clássicos como "Corcovado", "Samba do Avião", entre outros patrimônios musicais brasileiros, fazem uma espécie de radiografia de um Rio de Janeiro de 50 anos atrás. "Além das canções, também conto histórias e recupero a memória daqueles anos", diz. E ela conviveu – visceralmente – com alguns dos protagonistas do movimento musical brasileiro que mais obteve repercussão em âmbito planetário.

Na época em que a bossa nova fervilhava, Miúcha – filha do historiador Sérgio Buarque de Holanda e irmã de Chico Buarque – estava na Europa. "Meu envolvimento com a bossa nova se deu posteriormente." Ela foi viver em Nova Iorque e, em 1965, casou com João Gilberto, com quem teve a filha Bebel Gilberto – o casamento durou uma década. "Tom Jobim foi o meu melhor amigo. E o Vinicius de Moraes me ensinou a tocar violão", conta. Nuances desse passado serão reveladas ao público curitibano no show deste domingo, entre uma e outra canção.

Nova Iorque também foi cenário de uma feijoada, numa já longínqua década de 1960 – ocasião em que Miúcha conheceu os músicos de Os Cariocas. "Dividir o palco com esses músicos extraordinários, que já nos anos 1960 encantaram o maestro Quincy Jones, é um grande prazer", afirma Miúcha.

De outros tempos

Miúcha enfatiza que esse show também tem a finalidade de recuperar o "tempo" da época bossa-novista. "Entre as músicas, eu converso. Isso remete aos bate-papos que existiam naquela época, e que hoje parecem não ter mais espaço para acontecer." A percepção do presente, para Miúcha, é que hoje não há mais tempo. "Agora, estou sempre atrasada. Antes, entre outras coisas, sempre era possível pedir mais um chope." Na casa em que ela nasceu e cresceu, no bairro do Pacaembu, em São Paulo, a porta estava sempre aberta. "Papai (Sérgio Buarque de Holanda) me ensinou o que é a amizade. Apesar de muito erudito, ele valorizava os bate-papos, sem hora para terminar."

O show que acontece em Curitiba neste domingo faz parte do projeto Itaúbrasil, do Banco Itaú, que em 2008 presta homenagem aos 50 anos da bossa nova e que já patrocionou os shows de Caetano Veloso e Roberto Carlos em tributo a Tom Jobim, assim como as mais recentes apresentações de João Gilberto.



Caderno C
Porta-voz da bossa

/ MÚSICA / Miúcha faz show hoje em Campinas acompanhada do grupo vocal Os Cariocas


Bruno Ribeiro
DA AGÊNCIA ANHANGÜERA
bruno@rac.com.br

A cantora Miúcha não tinha como seguir outro caminho que não fosse o da música. Irmã de Chico Buarque e ex-mulher de João Gilberto, sua casa sempre foi freqüentada por grandes criadores da MPB, como Vinicius de Moraes e Tom Jobim. Deste último, aliás, ela diz ter sido a melhor amiga. Esta é a bagagem musical que a cantora leva ao palco hoje, em única apresentação no teatro do Centro de Convivência Cultural. Na ocasião, Miúcha fará uma homenagem aos 50 anos da bossa nova e será acompanhada pelo grupo vocal Os Cariocas. O show faz parte da turnê patrocinada pelo projeto Itaúbrasil.

Segundo Miúcha, o roteiro do show terá como suporte poético a obra de Tom e Vinicius, além de clássicos gravados por João Gilberto. A cantora foi a única artista brasileira a gravar e a dividir o mesmo palco com a “Santíssima Trindade” da bossa nova. “Tive o privilégio de conviver e trabalhar profissionalmente com estas figuras e posso dizer que elas moldaram não apenas meu gosto musical, mas também a minha visão de mundo”, diz ela, que prepara o lançamento de uma coletânea com gravações históricas ao lado de Tom, João e Vinicius.

O público que comparecer ao teatro na noite de hoje poderá reviver, na primeira parte do espetáculo, standards da bossa como Samba do Avião, Corcovado e Eu Sei que Vou Te Amar. O acompanhamento musical ficará por conta do Quarteto Bossa, composto por piano, violão, contrabaixo e bateria. Num segundo momento, o lendário conjunto Os Cariocas assume o comando do show. Na terceira e última parte, Miúcha e Os Cariocas cantam juntos uma seleção que culmina com Chega de Saudade, a canção que deu origem ao movimento.

Nascida no Rio de Janeiro e criada em São Paulo, Miúcha gravou seu primeiro disco em 1975, ao lado de João Gilberto e Stan Getz. The Best of Two Worlds foi produzido e lançado em Nova York, onde a cantora residia com João e a única filha do casal, Bebel Gilberto. Logo depois, iniciou uma parceria musical com Tom Jobim que se consolidou com o lançamento do LP Miúcha e Antonio Carlos Jobim, em 1977. Sua discografia é relativamente pequena, mas imprescindível dentro da história da MPB. Dias antes do show, a cantora concedeu entrevista ao Caderno C.

Agência Anhangüera de Notícias — Você foi a única cantora brasileira a gravar com João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Qual o significado desta experiência?

Miúcha
— Tive o privilégio de conviver e trabalhar profissionalmente com estas figuras e posso dizer que elas moldaram não apenas meu gosto musical, mas também a minha visão de mundo. Considero que seja a “Santíssima Trindade” da bossa nova, de modo que me sinto imensamente grata ao destino quando me lembro que gravei com eles. Acho que realizei o sonho de toda intérprete brasileira, não é mesmo?

E como era a convivência cotidiana com eles? Como você os via?

Eu era criança e Vinicius já freqüentava a minha casa. Tomei um susto quando descobri que o mesmo Vinicius da bossa nova era o Vinicius que conversava com meu pai, que brincava comigo, que tocava violão na sala (risos). A influência do poeta é total na minha vida. Tom Jobim conheci mais tarde e me tornei sua melhor amiga. Eu adorava sentar ao lado dele, no bar, e ficar escutando sua conversa. Eu achava tão bonito o jeito que ele falava da mulher, da natureza, do Brasil... Sem dúvida, foi meu grande mestre. João Gilberto não tinha a cultura formal dos dois, mas compensava com muita sensibilidade e intuição. Ele tinha uma formação humanista que me cativava. Até hoje os vejo como mitos.

Qual é a sua canção preferida?

Pela Luz dos Olhos Teus, do Vinicius de Moraes. É uma das poucas canções com letra e música do Vinicius. Se tornou obrigatória nos meus shows.

SAIBA MAIS

O quê: Miúcha e Os Cariocas - A cantora e o grupo vocal apresentam show em homenagem aos 50 anos da bossa nova

Quando: Hoje, às 21h

Onde: Teatro do Centro de Convivência (Praça Imprensa Fluminense, s/n, Cambuí, fone: 3232-04168)



Seção : Música - 16/09/2008 12:21


Miúcha e Os Cariocas comemoram a eternidade da bossa nova

50 anos depois de João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, músicos chamam a atenção do mundo para a arte brasileira


"Tem gente que chora ao assistir ao show. Não entendo por quê. Talvez seja saudade de um tempo feliz que, sem perceber, deixamos passar"

“É show para comemorar a eternidade da bossa nova, não só os 50 anos dela”, avisa a cantora Miúcha, que se apresenta terça-feira, às 21h, no Teatro Sesiminas, para celebrar a mais internacional e charmosa das invenções brasileiras. “Essa música muda o nosso estado de espírito, te coloca de bem com a vida, faz você se sentir bem”, completa. Miúcha se espanta com o fato de que, duas décadas atrás, havia gente que tratava a bossa como algo antigo e superado.

“Tem gente que chora ao assistir ao show. Não entendo por quê. Talvez seja saudade de um tempo feliz que, sem perceber, deixamos passar”, observa Miúcha. A cantora divide o palco com companheiros ilustres: o grupo vocal Os Cariocas. “Um luxo. Eles têm harmonias originais que, quando você ouve, leva um susto em ver como são modernas”, afirma.

No repertório, clássicos: Copacabana, Corcovado, Samba do avião, Eu sei que vou te amar, Chega de saudade.

Apresentados por artistas que viram a bossa nova nascer. São não só íntimos de João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, como participaram de shows e gravações históricas dessas estrelas da MPB. A seleção das músicas foi feita por Miúcha. “É um gênero muito carioca. Nas canções estão a paisagem do Rio de Janeiro, os botequins, o viver ao ar livre, a sensualidade de qualquer cidade que tem praia e a informalidade que contribui para a grande liberdade musical que temos”, conta ela. A geografia afetiva do movimento passa por Copacabana, onde ele nasceu, reduto da boêmia nos anos 1940 e 1950. Mais tarde, mudou-se para Ipanema.

Para Miúcha, João Gilberto criou a bossa nova. “Foi o modo dele de cantar e de tocar que deu outra forma a composições que pareciam antigos sambas-canções”, explica. Tempero essencial, acrescenta, veio do poeta Vinicius de Moraes: “Ele deu upgrade nas letras, trocando o vocabulário empolado pelo coloquial”. Tom Jobim é mestre do ofício, mas, com composições “que são encontro do clássico com o popular”, extrapolou o gênero. É do maestro a canção que Miúcha adora cantar: Águas de março. “Um resumo da brasilidade nos mínimos detalhes, feito por brasileiro que tanto olha o horizonte como o chão”, define ela. Terça-feira à noite, essa canção de Jobim fará parte do roteiro, por revelar encanto pela natureza, pelo mato. Paisagem diferente do cenário urbano, tão típico da bossa nova.

ALEGRIA

“Não é show histórico, nem didático, mas alegria de reunir pessoas em clima de bossa nova. Canto com enorme carga afetiva, pois tive relacionamento muito próximo com os autores, sei dos textos subliminares, pois bebi direto da fonte”, conta. Com relação a seu canto, explica que não teve nenhum mestre. “Já nasci cantando”, brinca a irmã de Chico Buarque e da cantora Cristina Buarque, ex-mulher de João Gilberto e mãe de Bebel Gilberto.

Inicialmente, Miúcha queria ser Elizeth Cardoso. Faz pausa e acrescenta: “Deve-se a Vinicius de Moraes a contribuição mais decisiva para a presença da música lá em casa. Amigo de seu pai, o intelectual Sérgio Buarque de Hollanda, foi o poeta quem lhe ensinou acordes de violão. “Quando Vinicius aparecia, todo mundo já sabia que ia ser música direto”, relembra.

JOÃO

Em 1958, Elizeth Cardoso lançou disco com canções de uma dupla de jovens compositores: Tom Jobim e Vinicius de Moraes. O primeiro, responsável pelos arranjos, convidou certo violonista em início de carreira para se integrar ao grupo: João Gilberto. Ele participou de apenas duas faixas: Outra vez e Chega de saudade. Mas a bossa – nova – daquele baiano não passaria despercebida. Reza a lenda que João tentou convencer Elizeth a cantar de outro jeito, mas não conseguiu.

A bossa nova, mesmo, só seria apresentada em disco em 1959. Ali João Gilberto fez tudo como queria, inclusive regravando Chega de saudade. Nascia, então, o gênero musical que conquistaria o mundo, um sambinha suave e delicado, com jeitinho de jazz. “É música criada aqui, que correu o mundo levando o nome do Brasil, é motivo para levantar a nossa auto-estima”, afirma Miúcha.

Para a cantora, o melhor presente que a bossa poderia ganhar, ao fazer 50 anos, seria o lançamento dos três primeiros discos de João Gilberto, fora de catálogo com problemas jurídicos. “São obras imprescindíveis, revolucionárias”, garante. O momento em que se comemora a “data histórica”, para a cantora, deveria trazer mais consciência sobre a importância da música para a cultura brasileira.

MIÚCHA E OS CARIOCAS

Terça-feira (16/09), às 21h. Teatro Sesiminas, Rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia, (31) 3241-7181. O show integra o projeto Itaú Brasil, que apresentou espetáculos com João

Gilberto, João Donato, Roberto Carlos e Caetano Veloso para comemorar os 50 anos da bossa nova.


Cantora se apresenta hoje na cidade, juntamente com Os Cariocas, em tributo aos 50 anos do movimento

Miúcha revê a bossa em BH


Daniel Barbosa

"Chega de Saudade", a música de Tom e Vinicius que João Gilberto gravou e que se tornou, possivelmente, o maior emblema da Bossa Nova, é uma expressão que cai como luva neste momento em que se comemoram os 50 anos do movimento musical brasileiro de maior repercussão no exterior.

Com a pletora de eventos que celebram o gênero, não há, com efeito, razão para saudades. Hoje Belo Horizonte recebe o show com que Miúcha e o grupo Os Cariocas estão circulando pelo país (a turnê cobre oito cidades), a bordo do projeto Itaúbrasil - o mesmo que promoveu o encontro de Caetano Veloso e Roberto Carlos cantando a música de Tom Jobim e também um tributo a João Donato. O repertório que a cantora vai apresentar logo mais é baseado no disco "Outros Sonhos", que lançou no ano passado e que focaliza a obra de Tom, Vinicius e Chico Buarque.

Trata-se de um roteiro musical sobre o qual Miúcha tem absoluta propriedade, já que, como ela mesma recorda, foi a única cantora brasileira a trabalhar, dividindo o palco em shows e também em gravações, com os três pilares da bossa nova - Tom, Vinicius e João -, além, é claro, de seu irmão, Chico. "São os compositores que mais cantei na vida e este é o momento propício para rever essa relação histórica. Além do disco lançado no ano passado, está saindo agora um outro trabalho que compila as gravações que fiz com João, Tom e Vinicius. Acho que sou a única cantora que teve esse privilégio de conseguir cantar com os três", diz, detalhando que na apresentação de hoje são certas a presença de músicas como "Samba do Avião", "Carta ao Tom", "Corcovado" e "Águas de Março".

Ela sobe ao palco do teatro Sesiminas primeiro acompanhada por sua banda. No meio, a cantora sai e cede o espaço para Os Cariocas. Ao final, todos se juntam na interpretação das clássicas "Chega de Saudade", "Se Todos Fossem Iguais a Você" e "Estamos Aí". "No que diz respeito à minha parte, pensei num roteiro que começa contando um pouco a história e a geografia do Rio de Janeiro, que é o berço da bossa. Vou fazendo essa costura e depois passo a bola para os Cariocas, que já chegam arrasando com ‘Minha Namorada’ e os arranjos do Baden Powell", diz, sem economizar elogios ao grupo que também esteve no cerne do movimento. "É um dos conjuntos mais antigos do Brasil e do mundo e continuam soando muito modernos. É impressionante como eles usam bem as dissonâncias", diz.

Sobre sua história com os três artífices da Bossa Nova, ela diz que rendeu momentos que se tornaram marcos de sua carreira, como o disco que registra o seu encontro, em show, com Tom, Vinicius e Toquinho. "Apesar de terem sido grandes parceiros a vida toda, Tom e Vinicius só se encontraram no palco duas vezes. A primeira foi no Au Bon Gourmet, em 1962, com o João Gilberto e os Cariocas. A segunda foi 17 anos depois, comigo e com o Toquinho. Aquela apresentação, aliás, é um referência para esse show que estamos fazendo agora pelo Itaúbrasil. Como naquela ocasião, a gora a gente conversa muito com o público, conto histórias da Bossa Nova, do Tom, do João, do Vinícius. Numa segunda parte do meu show, faço as coisas do Chico, ‘Maninha’, ‘João e Maria’ e as parcerias dele com o Tom, como ‘Anos Dourados’, que acho um primor, e ‘Eu Te Amo’, numa versão em francês que o próprio Chico fez", adianta.

Miúcha considera que o principal legado da Bossa Nova foi a projeção que ela deu à música brasileira no exterior. "Foi algo que extrapolou as fronteiras do país com muita força porque aconteceu uma grande confluência de talentos. O João Gilberto chegou com a grande novidade, que era aquela maneira única de tocar o violão. Falar em batidinha da bossa é uma maneira de simplificar a coisa porque é realmente outra instância, quer dizer, tem muito mais coisa ali do que ritmo. O Tom transcendeu a bossa, porque era um compositor maravilhoso, completo. O Vinicius trouxe sofisticação para as letras da MPB, apesar de, muitas vezes, escrever como se fala numa roda de conversa. Mas são conversas incríveis", aponta.

AGENDA o que: Show com Miúcha e Os Cariocas quando: Hoje, às 21h onde: Teatro Sesiminas (rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia, 3241-7181)

Bossa

Os Cariocas têm lastro histórico com o movimento


Daniel Barbosa

Se não faltam à Miúcha todas as credenciais para conduzir a homenagem à Bossa Nova que o projeto Itaúbrasil propõe, o mesmo se pode dizer em relação ao grupo Os Cariocas. Formado por Eloi Vicente (violonista, quarta voz e solos vocais), Neil Teixeira (baixista e terceira voz), Hernane Castro (baterista e segunda voz) e Severino Filho (arranjador, pianista e primeira voz), o único remanescente das primeiras formações, o conjunto acompanhou Tom Jobim, Vinicius de Moraes e João Gilberto nos históricos shows da boate Au Bon Gourmet, em 1962. A partir daquele momento, o grupo gravou vários discos de bossa nova, inclusive nos Estados Unidos, com produção do maestro Quincy Jones.

Uma das principais características do quarteto, conforme Miúcha destaca, é o moderno sistema de distribuição das quatro vozes – algo inédito em conjuntos brasileiros e que constitui a grande personalidade d’ Os Cariocas. Formado no Rio de Janeiro em 1942, o conjunto vocal se destacou no cenário nacional já naquela década por misturar a polifonia do canto com efeitos rítmicos. Influenciados por outros grupos vocais pregressos, como o Bando da Lua, o Anjos do Inferno e o Quatro Ases e um Coringa, Os Cariocas estrearam no programa de calouros comandado por Renato Murce, na rádio Mundial.

Posteriormente eles se apresentaram ao então diretor da rádio Nacional, Radamés Gnattali, e foram contratados em 1946 para participar do programa “Um Milhão de Melodias”. Os Cariocas ficaram como grupo residente da rádio Nacional por 20 anos. Outro marco na relação do conjunto com a Bossa Nova foi uma das primeiras gravações de “Chega de Saudade”, que contou, inclusive, com o acompanhamento, ao violão, do próprio João Gilberto. Começava aí a intensa relação do quarteto com o gênero que, naquele momento, já repercutia mundialmente.

Nos anos 60, Os Cariocas gravaram uma série de seis discos integralmente dedicados à bossa nova: “A Bossa dos Cariocas”, “Mais Bossa com Os Cariocas”, “A Grande Bossa dos Cariocas”, “Os Cariocas de 400 Bossas”, lançado por ocasião dos 400 anos do Rio de Janeiro, “Arte / Vozes” e “Passaporte”. Com o público crescente no Brasil, o sucesso do grupo chegou aos Estados Unidos, onde os integrantes conheceram o maestro Quincy Jones. Foi ele quem conduziu a estréia do conjunto nos Estados Unidos, com o lançamento de “Introducing The Cariocas”, que trazia uma seleção de músicas representativas do gênero produzida por Jones.

O grupo entrou em recesso no final dos anos 60, mas retomou a carreira há duas décadas e segue se apresentando pelo Brasil e exterior.

Em 1997, Os Cariocas lançaram o CD “A Bossa Brasileira”, indicado para o prêmio Sharp. No ano seguinte o grupo fez shows em Miami ao lado de Leny Andrade, Wanda Sá e Roberto Menescal, e ainda em 1999 participou em uma faixa do CD “Crooner”, de Milton Nascimento. Em 2001 chegou ao mercado o disco “Os Clássicos Cariocas”, vencedor do prêmio Caras na categoria grupo de MPB. Em 2002 o conjunto esteve no Japão e nos Estados Unidos para promover o lançando do CD “oscariocas.com.bossa”, indicado para o prêmio TIM.

Em 2003, com show realizado em Montevideo, o grupo foi convidado para retornar ao país e se apresentar com a Orquestra Filarmônica daquela cidade. Em 2004, o conjunto foi convidado a participar dos festejos do Dia da Independência em Assunção, no Paraguai.








11/09/2008
Miúcha volta a Brasília para encontro com Os Cariocas
Irlam Rocha Lima
Do Correio Braziliense

Miúcha volta a Brasília para um encontro com Os Cariocas na Sala Martins Pena

Miúcha era criança quando conheceu Vinicius de Moraes, um dos pilares da bossa nova. O poeta era amigo do sociólogo e historiador Sérgio Buarque de Holanda – pai da cantora – a quem visitava sempre que ia a São Paulo. “A presença de Vinicius em nossa casa era motivo de festa, de muita música e de alegria”, lembra. “Foi ele que nos fez conhecer a mim e aos meus irmãos a música de Noel Rosa e de Ary Barroso”.

Tempos depois, estudante de história da arte na Sorbone e na École de Louvre, em Paris, Miúcha foi apresentada, pela compositora chilena Violeta Parra, a João Gilberto, outro expoente do movimento. Não demorou para os dois se casarem e se tornarem pais da cantora Bebel Gilberto. “Mais tarde, de volta ao Rio de Janeiro, registrei minha voz pela primeira vez em disco ao gravar
Boto, no LP Urubu, de Tom Jobim”, recorda-se.

Recentemente, Miúcha esteve em Brasília e se apresentou na Caixa Cultural, com o show do disco
Outros sonhos, no qual interpreta canções de Tom, Vinicius e do irmão Chico Buarque – algumas delas gravadas anteriormente por João Gilberto. Pela Sony BMG, acabou de sair outro álbum da cantora, coletânea reunindo gravações em que faz duo com João, Tom e Vinicius. Em breve, chegará às bancas de jornal outro disco com músicas interpretadas por ela – parte de uma coleção sobre a bossa nova, coordenada pelo biógrafo Ruy Castro.

Vivendo bom momento na carreira artística, Miúcha foi convidada para participar do Itaúbrasil, projeto comemorativo do 50 anos da bossa nova, que já promoveu shows em homenagem a João Donato, a Tom Jobim (reunindo Caetano Veloso e Roberto Carlos) e o que trouxe João Gilberto de volta ao palcos. Ao lado de Os Cariocas, ela cumpre turnê que a traz hoje à capital em show, às 21h, na Sala Martins Pena. Depois, eles seguem para Goiânia, Belo Horizonte, Campinas, Ribeirão Preto, Curitiba e Porto Alegre. A cenografia tem assinatura de Isabelle Bitencourt.

Tanto a cantora quanto o grupo terão momentos solos no show, mas juntarão as vozes na abertura, quando interpretarão Isaura (Roberto Riberti) e, no final, no pot-pourri formado por
Estamos aí (Regina Werneck, Maurício Einhorn e Durval Ferreira), Se todos fossem iguais a você e Chega de saudade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes).

Festa em família
“Fiquei feliz quando recebi o convite. Esse encontro é uma dessas coincidências da vida. Os Cariocas foi o grupo que estava ao lado de Tom, Vinicius e João Gilberto no histórico no bar e restaurante Au Bon Gourmet, em 1962. Quinze anos depois, foi a minha vez de estar junta com Tom, Vinicius e Toquinho, em espetáculo que faz parte da história do Canecão. Agora, vou dividir o palco com Os Cariocas”, comemora.

Acompanhada por Leandro Braga (piano e arranjos), João Lira (violão), Jamil Joanes (baixo) e Ricardo Costa (bateria), a cantora passeará por repertório que inclui Falando de amor, Samba do avião, Eu sei que vou te amar, Corcovado (Tom e Vinicius), Águas de março (Tom Jobim) e Pela luz dos olhos teus (Vinicius de Moraes), ouvida na interpretação de Miúcha e Tom Jobim, na abertura da novela Mulheres apaixonadas, reapresentada no Vale a pena ver de novo. “Essa é a primeira vez que dividimos o palco com Miúcha. Para Os Cariocas, vai ser uma experiência maravilhosa”, festeja Severino Filho, líder, arranjador, pianista e primeira voz do grupo, integrado por Eloi Vicente (violão, quarta voz e solos vocais), Neil Teixeira (baixo e terceira voz) e Hernane Castro (bateria e segunda voz).

Uma das grandes referências da bossa nova, o grupo Os Cariocas, com mais de 60 anos de carreira, foi criado por Ismael Neto (irmão de Severino) na década de 1940. Fez escola na arte de criar arranjos vocais. Uma das primeiras gravações foi a de Chega de saudade, tendo João Gilberto ao violão. Depois, seria o primeiro a gravar Minha namorada (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes) e Ela é carioca, “que Tom e Vinicius fizeram para nós”, revela. Ambas estarão no roteiro do show da Martins Pena.

Severino ficou emocionado ao saber que no show no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, João Gilberto fez referência elogiosa ao Os Cariocas. “Na década de 1960, estávamos em Nova York e fomos convidados por João e Miúcha para feijoada na casa deles. Naquela tarde, João sugeriu que voltássemos cantar Tintim por tintim (Geraldo Jacques e Haroldo Barbosa). No show do Municipal, ele cantou depois de falar sobre a gente”,emociona-se.



Na Bossa com magia e carisma


Ícone da Bossa Nova, a cantora Miúcha fala sobre o gênero e o encontro com Os Cariocas


Personalidades da história da Bossa Nova, Miúcha e Os Cariocas dividiram, em situações distintas, o palco com a tríade maior do gênero: Tom, Vinicius e João. “Sou a única cantora que fez esse show. Eles também, no Al Bon Gourmet. Só nós tivemos esse privilégio”, frisa. Esta e outras histórias foram contadas em um álbum recém-lançado com “a trilha sonora dos grandes momentos da minha vida”, além depoimentos, “não-didáticos, mas engraçados”. Agora, à convite do projeto Itaúbrasil, eles celebram os 50 anos da Bossa Nova.


Prometendo levar um pouco destas histórias ao TJA e à turnê que começa hoje em Fortaleza, a bossanovista pretende superar um imprevisto de última hora: “fui colocar comida para o gato, me desequilibrei e caí, fraturando o pé”. Mesmo assim, na companhia de Leandro Braga (piano e direção musical), João Lyra (violão), Jamil Joanes (baixo) e Ricardo Costa (bateria), além d’ Os Cariocas em alguns momentos, ela pretende estar toda prosa. “Vai ser tudo em cima da hora. Vamos fazer o ensaio geral aí, com uma adrenalina especial: medo e tesão”, diz a cantora.


Miúcha pretende fazer o mesmo final do show com Vinicius, Tom e Toquinho, em 77. “Pedi pro Severino fazer uns lances para ‘Chega de Saudade’, vai ficar um luxo”. E o fundador dos Cariocas? “Severino é uma coisa, que arranjos... Até hoje são modernos, cheios de dissonâncias”, ressalta. Autora do roteiro do show, ela conta que será feito um desenho do Rio de Janeiro “do morro, de ‘Corcovado’ e ‘Águas de Março’, e Copacabana, onde nasceu ‘Fotografia’. Paisagens do Rio de Janeiro. Canto a parceria e uma obra que não é do Baden, mas que ele adotou, ‘Gente Humilde’, de Garoto, Vinicius e Chico. Daí passo a bola pros Cariocas, ‘Berimbau’, ‘Pra que chorar’...”, pontua, citando ainda “Anos Dourados”, “Eu te amo”, de Tom e mano Chico, e outras “menos ouvidas”: de Chico e Cristóvão Bastos, “Todo Sentimento”. “A intenção é se divertir no palco”.


Severino, João, renovação


“Conheci Severino no Johnny Carson. João era fã, empresário deles. Esse encontro vai ter um carinho todo especial. Foi uma época de músicas divinas, muita alegria”. Miúcha lembra que o show com Vinicius, Tom e Toquinho teria continuidade, se o Poetinha não resolvesse aprontar sua última. “Coloquei o mesmo final com Os Cariocas: ‘Chega de Saudade’, ‘Se todos fossem Iguais a Você’ e ‘Estamos Aí’. Tô dando uns retoques, mas esse final tá certo”, precisa.


A renovação do público e da própria Bossa Nova não passa despercebida. “A Bebel (Gilberto, filha dela e João Gilberto) botou na língua mais pop, da geração dela”. Miúcha percebe o interesse dos joven pelas histórias da Bossa. “A música chata dos anos 90 se esgotou. Tá na hora de celebrar uma música de qualidade que rompeu as fronteiras do Brasil. Bebel fez isso um pouco”, diz, citando ainda o produtor Suba, falecido há alguns anos, e as composições de Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante, do Los Hermanos, além da nipo-brasileira Lisa Ono, na renovação da Bossa. “Na estética acariciante, cool, do som da Bossa, não tem quem cante tão bem como ela”.


Sobre o projeto diz que “é preciso instigar o público a conhecer, tudo é válido”. Então, valeu também o encontro entre Roberto Carlos e Caetano Veloso que, junto ao show de João Gilberto, marcou a etapa anterior das comemorações dos 50 anos da bossa, promovidas pelo Itaú. “Eles são grandes cantores”. E o João? “Rever João no palco foi sem comentário. Você vê como essa arte é refinada, tem uma magia que ninguém tem”.


HENRIQUE NUNES

Repórter




Abraços e beijinhos

Tiago Coutinho  da Redação

Fortaleza entra na onda de comemoração dos 50 anos de Bossa Nova. A cantora Miúcha divide o palco do Theatro José de Alencar, hoje, com o quarteto Os Cariocas. Eles fazem única apresentação com um repertório apaixonante


Miúcha faz única apresentação hoje, no Theatro José de Alencar, acompanhada da grupo Os Cariocas (Divulgação)

Não há dúvidas. 2008 é o ano da Bossa Nova. Ao coroar meio século de música, as comemorações tornam-se intensas, com pomposas apresentações. João Gilberto retorna aos palcos, Caetano Veloso e Roberto Carlos se encontram pela primeira vez para cantar Tom Jobim. João Donato recebe homenagem de vários intérpretes mais novos. "Isso tá sendo muito bom. Aqui, no Brasil, a Bossa tava um pouco renegada ao segundo plano. Agora, temos muito trabalho para todo este ano e pelo jeito vai respingar em 2009 também", comemorar Severiano Jr, pianista do quarteto Os Cariocas.

Ele e mais três amigos são os ilustres convidados da cantora Miúcha. Juntos, embarcam nessa comemoração e iniciam hoje uma turnê de homenagem à bossa pelo Brasil. A primeira capital a receber a apresentação é Fortaleza. Ela acontece, às 21 horas, no palco principal do Theatro José de Alencar. Até o fim do mês, seguem por Brasília, Goiânia, Belo Horizonte, Campinas, Ribeirão Preto, Curitiba e Porto Alegre. "Eu sinceramente não sei por que vamos começar por Fortaleza, mas eu fico muito feliz, porque é uma cidade que eu adoro. Infelizmente não poderei ficar mais tempo", saúda a cantora. Um diferencial do logo mais é que Miúcha sobe ao palco com a perna engessada. "Fui botar comida para o meu gato, bati na parede e quebrei três ossos do pé. Essas coisas acontecem, a gente só nunca acha que acontece com a gente. Mas vamos lá, tem que ter o show, né?", fala bem-humorada.

No palco, Miúcha leva parte de seu humor e charme. Aos 70 anos, ela possui no currículo algumas pérolas da qual, muito justamente, se orgulha. Aprendeu os primeiros acordes de violão com ninguém menos que o poetinha desafinado Vinícius de Moraes. "Isso foi bem antes da Bossa Nova. Quando surgiu a Bossa, eu perguntei: é esse mesmo o Vinícius que a gente conhece que vem aqui em casa? O grande poeta da Bossa Nova? Então ele é mais importante do que a gente pensava", ri.

Se já não fosse pouco ter tido aulas com o poeta, ela também ensinou ao seu irmão, Chico Buarque, a tocar violão. É mãe de Bebel Gilberto, a filha do João, seu ex-marido. A vida de Miúcha, que na certidão de nascimento, chama-se Helena Buarque de Hollanda, se confude com momentos de farras, boemia e muita música. Para arrematar a trajetória, ela gaba-se por ser a única cantora no Brasil a ter gravado com o trio João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Morais. Para poder ratificar essa lembrança, a cantora está lançando em breve, pela Sony&BMG, a coletânea Miúcha com Vinícius, Tom e João.

Essa mulher-monumento, além da companhia de Os Cariocas, traz para o palco sua banda e promete um encontro de diversos músicos. Um dos motivos para a cantora convidar o quarteto para encarar essa turnê foi o fato de aproveitar o momento comemorativo e reforçar a importância da cultura de grupos, cada vez mais escassos. "Os Cariocas têm muitas histórias para contar, eu tô insistindo para que eles contem no show", confessa.

O show promete ser carregado de nostalgia com inúmeras músicas que celebram a Bossa Nova e a saudosa Rio de Janeiro. Músicas como Corcovado, Eu Sei que Vou Te Amar, Samba do Avião e Fotografia, entre outros sucessos estão garantidas no repertório. "Queira ou não queira, na Bossa Nova, o público quer ouvir aquilo que ele já conhece. O povo quer fazer CDs com músicas de Bossa Nova inéditas, eu sou contra", comenta Severiano Jr. Na expectativa, o integrante mais antigo do grupo acredita que a turnê será um grande sucesso. "Miúcha é maravilhosa. O grupo dela é muito bom, canta nossos arranjos. Nós já nos conhecíamos, mas vamos tocar juntos pela primeira vez. Bossa Nova é uma música mundial. Torna-se mais fácil afinar os arranjos", afirma.

Não há dúvidas que o encontro desses grandes músicos, formalmente coloquiais, será muito afinado. O momento, para Miúcha, é só de celebrar e comemorar. "Tá sendo ótimo. Tá proporcionando aos artistas mostrarem o seu show. O público pode assistir coisas muito bonitas, também. Eu fico muito feliz porque mostra que está havendo uma cuidado com o maior patrimônio cultural brasileiro que é a nossa música, sem dúvida. É o reconhecimento do artista", comemora.


       

                     folha de sp 8/set

           
         

                    revista caras


 
 







































































La bossa nova tiene quien la cante

La cantante presentará un espectáculo para festejar los 50 años del género

Sábado 5 de abril de 2008 | Publicado en la Edición impresa 



Miúcha no tiene mucho tiempo libre en las horas cercanas a su presentación de esta noche, en el ND/Ateneo, como parte del ciclo de homenaje a los 50 años de la bossa nova. La ocupa el cine, como colaboradora en un documental sobre Tom Jobim que rueda Nelson Pereira dos Santos. Cuando atiende el teléfono en Río, acaba de completar una fructífera jornada en el Jardín Botánico, ambiente inmejorable para evocar la figura del compositor más famoso del Brasil contemporáneo, enamorado de la naturaleza. Allí puede aportar algo de lo mucho que vivió cerca de Tom y de todo el proceso creador que culminó hace medio siglo en "Chega de saudade", donde se unieron la guitarra y la voz de João Gilberto, la poesía exquisita de Vinicius y las elaboradas melodías de Jobim para mudar para siempre el rumbo de la música brasileña.

Miúcha tiene experiencia en la tarea (ya colaboró con Nelson cuando realizó
Raízes do Brasil , una cinebiografía de Sergio Buarque de Hollanda, el célebre historiador y sociólogo, padre de la artista); además, puede aportar mucho: como toda su generación adhirió de inmediato a la bossa nova ("Parecía que hasta entonces la música había sido como un film en blanco y negro y que de repente se hubiera llenado de colores, incluso algunos que ni siquiera existían"), y además la casa de los Buarque siempre fue punto de reunión de poetas y músicos y tuvo desde chica, como su hermano menor Chico, la vivencia directa de la creación. "Mi interés por la música fue extraordinariamente bien alimentado", concede riendo, al recordar los años en que estuvo casada con João Gilberto, unión de la que nació Bebel, una de las más destacadas cultoras actuales de la bossa.

Discusión

"Los 50 años han desatado una locura en Brasil -cuenta-: se discute si la bossa nació en la casa de Nara Leão; si la primera manifestación pública fue aquí o allá; quién fue el precursor, quién el primero; quién el rey o el príncipe: andan disputándose títulos nobiliarios. Y sigue la eterna polémica sobre qué es y qué no es bossa nova.

-¿Y qué es, a tu criterio?

-Lo que mejor resume su esencia es la voz y la guitarra de João. Empezó con él, cuando con esa manera de cantar casi confidencial, como una conversación personal, terminó con el antiguo canto ampuloso y exuberante. Yo diría que es música que te devuelve la sonrisa, que produce un sentimiento agradable, poético; música hecha con sutileza, con delicadeza, con humor.

-¿Qué ha quedado de todo eso?

-Es cierto que con el pretexto de innovar en la bossa se ha hecho mucho mamarracho (ni hablemos de esas cosas horribles con batería electrónica, que son lo opuesto a João, infatigable perseguidor de matices), pero también hay jóvenes como Bebel y Sean Lennon o como unos grupos de Chicago que ella me ha hecho conocer que reinterpretan la bossa nova con los sonidos de su tiempo.

A propósito de João, cuenta que sale poco: "No hay nada ahí afuera que le resulte más interesante que quedarse con su guitarra, investigando nuevas armonías. Pronto tiene que presentarse en el Carnegie Hall, pero en él no hay prisas, tiene otro
timing ".

Y vuelve al cine cuando llega la hora de hablar del programa que hará hoy:

-Tom siempre quiso hacer un film que comenzara con la visión de un urubú planeando sobre Río y con el fondo musical del "Samba do avião", que es también una aproximación a la ciudad desde lo alto. Mi show es así: va enhebrando esas vistas con la música de los tres creadores que han estado más estrechamente ligados a mí, tanto en lo personal como en lo artístico: Vinicius, Tom y Chico. Es un programa muy carioca y, como ves, un poco autobiográfico. Va de "Fotografía" a "Aguas de marzo"; de "Eu te amo" (que canto en la versión francesa hecha por Chico) a "Outros sonhos" (así se titula mi último CD); de "A luz dos olhos teus" a "Eu sei que vou te amar", esa oración que nos enseñó Vinicius.

Lo que le recuerda que alguna vez Antonio Skármeta emprendió una campaña por la canonización del
poetinha : "Nos hace falta un santo así, ¿no?"


BOSSA NOVA DE RAÍZ

Garota en Buenos Aires

Miúcha, acaso el secreto mejor guardado de Brasil, y además mujer de Joao Gilberto y madre de Bebel Gilberto, llega a la Argentina en el ciclo "50 años de bossa nova".


Miúcha es carioca y fue criada en San Pablo, su padre, Sergio Buarque de Hollanda, escritor, profesor y fundador del Partido de los Trabajadores en Brasil, era un bohemio que gustaba de las noches de música y clargas charlas con amigos. Entre ellos Vinicius de Moraes, con quien Miúcha aprendió algunos acordes en la guitarra para tocar los compositores y la poesía que a ella le gustaba y que solían cantar juntos.


En los años 50s' la familia (padre madre y siete hijos) se mudó a Roma donde el profesor fue invitado a dar un curso en la Universidad de Roma. Fue un período inolvidable para todos y la música continuaba presente. El padre adoraba interpretar canciones napolitanas con dramaticidad exagerada; Miúcha cantaba con sus hermanos las músicas del Festival de San Remo que aprendía en la radio. Y además tenia las frecuentes visitas de Vinicius, que servia en la embajada de Brasil en París y aparecía siempre para ver a los amigos, con lo cual las noches de canciones y guitarra se multiplicaban.


Fue en Roma que Miúcha canto en un micrófono por primera vez. Ella había ido a cenar con sus padres al restaurante Osteria del Orso y Vinicius los esperaba en el bar con un pianista que conocía todas sus canciones. A Vinicius le gustaba cantar sentado en una banqueta apoyado en el piano. Esa noche él le paso el micrófono a Miúcha, que canto muy emocionada y jamás de olvido aquella experiencia.


De vuelta en Brasil, Vinicius continuo apareciendo en la casa de San Pablo (era el tiempo de "Orfeo Negro") y poco después surgía la música de Tom Jobim y Joao Gilberto. Música cantada de una manera tan diferente, con un sonido tan seductor que logro influenciar a toda una generación. Miúcha los idolatraba desde antes sin poder imaginar que algunos años mas tarde ellos tendrían una presencia tan marcada en su vida.


Poco tiempo después Miúcha gano una beca de estudios, y se fué a Paris llevando una guitarra en su equipaje. De día estudiaba Historia del Arte en la Sorbonne, y de noche cantaba en los barcitos de Saint Germain. En uno de ellos se encontró con Joao Gilberto. Se casaron y se fueron a vivir a New York, donde nació su hija Bebel Gilberto. En 1975 Miúcha volvió a la ciudad para su primer disco titulado "The best of two Worlds". Al lado de Joao y de Stan Getz, graba por primera vez con Tom Jobim iniciando una deliciosa sociedad musical que se consolidó con el lanzamiento de "Miúcha é Antonio Carlos Jobim" en 1977.


Su bautismo en público fue en el inolvidable espectáculo "Tom, Vinicius, Toquinho é Miúcha" que estuvo casi un año en cartel en el Canecao de Río, además de viajar por todo Brasil y hacia el exterior. De ese show grabado en vivo se lanzó un cd, su segundo disco con Tom Jobim grabado en New York contó además con la presencia de Chico Buarque. Después de este inicio en la vida artística rodeada de amigos queridos Miúcha comenzó una bella carrera como solista, consolidando su arte en los escenarios de todo Brasil y de varios países extranjeros.


Artistas tan diferentes como Chico Buarque, Leandro Braga y Carlos Lyra, entre otros, contribuyen a ampliar su universo musical colaborando para hacer de Miúcha una cantante extremadamente versátil y creativa.


Dueña de un timbre muy personal, fácilmente identificable a la primera audición y cantando un repertorio de buen gusto Miúcha es hoy una de las grandes intérpretes de la mejor música brasilera. En 2005 participo del cd y del dvd "Brasileirinho" de Maria Betania así como de las temporadas de shows en Rio, San Pablo y Bahía. También junto a Betania produjo un homenaje a Rosinha e Valenca. Viajo por el nordeste con el "Proyecto Pixinguinha" y se sintió sorprendida cuando se dio cuenta que había surgido en Brasil una nueva generación, un público muy joven interesado en la obra de Vinicius en la música de Tom y que sabían las letras enteras de Chico. Comenzó a pensar su nuevo show dedicados a estos tres compositores siempre presentes en su repertorio.


Los primeros días de Enero de 2006 estrenó en Río el show "Una cantante y tres cariocas" con Miúcha cantando las músicas y contando las historias de Tom Jobim, Vinicius de Moraes y Chico Buarque


Ese show viajó por todo Brasil incorporando memorias y canciones que fueron finalmente registradas a fin de año en los estudios de Biscoito Fino. Con la participación especial de Chico Buarque, Cristovao Astos e Itamar Assiere, "Otros sueños", esta considerado uno de los mejores cds de la cantante.


Lanzado en Abril el disco ha llegado a varios países. Miúcha viajó a Japón donde se presentó y grabó con la cantante Isa Ono, con Paulo y Daniel Jobim. Inmediatamente después junto al Jobim Trío y el pianista Leandro Braga, se presentó en Roma en Noviembre de 2007, en el Teatro Sistina como parte del proyecto "Brasil Memorias".





I would like to understand why albums like this one are released, gone out of print and being kept unknown for many people, even those who collect Brazilian music. This is another great contribution by AdHoc, a gorgeous LP recorded by Miucha for Continental in 1989 that never had a CD reissue. I admit that I never heard about this one, and probably you did not also. AdHoc transition from classical to popular was great.

This is Miucha - Miucha (1989), for Continental, featuring the very special guests Pablo Milanes at track 01 - Buenos Dias America and Miucha's daughter Bebel Gilberto at my favorite so far, track 06 - Saudosismo (Caetano Veloso). AdHoc highlights the overall music quality, the repertoire selection, arrangements and Miucha singing, which is really awesome. There are also four very early compositions by the Brazilian guitarist Guinga in partnership with Paulo Cesar Pinheiro. AdHoc delivers nice covers scans, including personnel listing with musicians identified by track, which I will list here as a whole. Thanks Adhoc, you really Rocks! Tracks include:

Personnel


Jorge Aragon

(piano)

Cristovao Bastos

(piano, arrangements)

Helvius Vilela

(piano, arrangements)

Piriquito

(pandeiro)

Paulinho da Aba

(surdo)

Albert Dailey

(piano)

Eduardo Ramos, Jorjao, Jamil Joanes

(bass)

Jacques Morelembaum

(cello)

Chiquinho do Acordeon

(accordion)

Wilson das Neves, Robertinho Silva

(drums)

Frank Bejerano

(percussion)

Franklin

(flute)

Luiz Claudio Ramos

(violao, guitar, arrangements)

Joao Donato

(piano, trombone)

Ze Carlos, Leo Gandelman, Ion Muniz

(sax)

Paulinho Trumpete, Bidinho, Niltinho

(trumpet)

Serginho Trombone, Roberto Marques, Maciel, Jesse Nascimento

(trombone)

Antonio Claudio

(trompa)

Georgiana de Moraes

(percussion)


Track List


01 - Buenos Dias América (Pablo Milanés) with Pablo Milanés

02 - Iaiá (Cristóvão Bastos / Paulo César Pinheiro)

03 - Para Viver (Para Vivir) (Pablo Milanés / Vrs. Miúcha)

04 - Chorando as Mágoas (Guinga / Paulo César Pinheiro)

05 - Anjo Exterminado (Jards Macalé / Waly Salomão)

06 - Saudosismo (Caetano Veloso) with Bebel Gilberto

07 - Solitude (De Lange / I. Mills / Duke Ellington)

08 - Por Gratidão (Guinga / Paulo César Pinheiro)

09 - Non Sense (Guinga / Paulo César Pinheiro)

10 - Porto de Araújo (Guinga / Paulo César Pinheiro)

11 - Valsa dos Músicos (Uma Só Família) (Vinicius de Moraes / Mutinho)


This is Miucha - Miucha (1989), at Loronix, here.


FLAC files are also available here as part ONE, TWO and THREE.


Hope uEnjoy!



Posted by zecalouro at 10/08/2007



8 comments:

cvllos said...

Zeca, Miucha tem uma interpretaçao de Olhos nos Olhos, acompanhada apenas pelo Jobim que emociona! Outro trabalho excelente da mesma é o cd Compositores. Das atuais, essa é uma interprete que respeito.

Monday, 08 October, 2007

pawlyshyn said...

Well this has been released on CD in Japan. I paid megabucks for it. I knew I should have waited. Mine has a different cover, however. It's a painting of her, in a similar pose. Which is the original?
For me this album is especially notable for the four Guinga ineditas - it was recorded just before Guinga began his recording career, although he'd been writing songs since the early '70s.

Monday, 08 October, 2007

Imogen Q. said...

To pawlyshyn.

It was also released on CD in France around 1990 (apparently that's the version posted here). Both the French and the Japanese CDs are unavailable in the major online retailers, which means that they're out of print. As for the cover, I've never seen the original Brazilian LP, but Pablo Milanes who played in the album displays the "French" cover in his web site. It probably means it's the original.
If you don't mind my curiosity, when and where did you buy your CD and how much is "megabucks"?

Monday, 08 October, 2007

pawlyshyn said...

Imogen:
I bought it maybe six months ago on eBbay from someone in Japan, for about US$35. (Of course, the US dollar was worth a lot more then versus the Canadian dollar. Today it doesn't seem all that expensive!)
By the way, Zeca, my booklet includes photos and the lyrics. If you're interested I could scan the whole thing and send it to you.

Monday, 08 October, 2007

AdHoc said...

Just a footnote to zecalouro's comments:
"Solitude" is in different mood (no wordplay) compared to the other tracks of the album. This piano and voice rendition of Duke Ellington's standard was recorded in New York City with pianist Albert Dailey and with the legendary electronic music pioneer Wendy Carlos as sound engineer. Was it a one-song session? Or was it part of an abandoned project? Are there more songs from this session in a vault somewhere out there? Miúcha can tell.

Footnote to the footnote: Wendy Carlos was also sound engineer for João Gilberto's 1973 LP (see Loronix post dated 8/14/2007), arguably, his best. Every sound detail is rendered with such an acute clarity that the perception of the rhythm is enhanced to the point of being almost hypnotic. This unique sound quality of João's 1973 album stem in direct line from Wendy Carlos' own recordings. In the late sixties and early seventies, she (well, actually he, at that point of his/her life, and under the name of Walter Carlos) recorded a series of seminal albums of electronic music in collaboration with Robert Moog, notably "Switched-On Bach", featuring a synthesized baroque orchestra. Many other albums followed, including the OST for Kubrick's "A Clockwork Orange" and "The Shining". This music still sounds amazing. Check her web site.

Monday, 08 October, 2007

Joe Carter said...

I'm curious about North American jazz pianist Albert Dailey being on this. I never knew he had a "brasilian connection". Very interesting and the only non-brasilian on the date.

Monday, 08 October, 2007

Joe Carter said...

I'm curious about North American Jazz pianist Albert Dailey being on this date (and the only non-Brasilian). I never knew of his "Brasilian connection".

Monday, 08 October, 2007

AdHoc said...

Dear Mr Carter,

Albert Dailey played the piano in all tracks of "The Best of Two Worlds" (1976), the second Stan Getz / João Gilberto album (with Miucha). Actually, he played a lot with Stan Getz in the mid-70s. That's where his Brazilian connection comes from.


QUARTA-FEIRA, AGOSTO 08, 2007

DO BAÚ/PERFIL: Miúcha (1999)


Semana passada passei uma tarde deliciosa no sul da ilha de Manhattan com a cantora e compositora Bebel Gilberto e, fuçando meus arquivos, encontrei este pingue-pongue que fiz da mãe da moça, Miúcha, publicado na capa do Caderno B, do Jornal do Brasil, em 1999, editado pela querida Regina Zappa. É interessante como a conversa girava em torno do momento da necessidade de se (re)descobrir o Brasil real, acima do país de fantasia vivido apenas na experiência americanófila das elites do sudeste e do sul.


Miúcha não se explica, por EDUARDO GRAÇA


Como seu último CD, 'Rosa Amarela', que está saindo agora no Brasil, a irmã de Chico Buarque é para ser ouvida e se sentir

Se algum engraçadinho perguntasse a Heloísa Buarque de Hollanda que música a definiria ela titubearia, aguardaria um olhar cúmplice do gato Dengo, com o qual divide sua cobertura na Ataulfo de Paiva, ali pertinho do Antonio's, no Leblon, e finalmente responderia: Paz, do compadre João Donato. Os amigos da turma do funil não precisam se assustar. Miúcha continua revirando os olhinhos antes de soltar aquela gostosa gargalhada. Principalmente agora, quando comemora o lançamento de Rosa amarela , CD que quebra um jejum de 10

anos sem gravações no Brasil da mais sapeca das filhas de dona Amélia. Uma conferida, ainda que de esguelha, no menu escolhido por Miúcha para seu novo disco, leva à pista certeira: Rosa amarela remete imediatamente às duas parcerias da cantora com Tom Jobim. Os clássicos - e esgotadíssimos - Miúcha e Antonio Carlos Jobim (77) e Miúcha e Tom (79). No repertório, pepitas de Capiba, Jacob do Bandolim, Elton Medeiros, Hermínio Bello de Carvalho, Aldir

Blanc, Ary Barroso, Edu Lobo, Isamel Neto, Antônio Maria, Paulinho da Viola, Maurício Tapajós. Só fera.


E, exatamente como nos anos 70 - Miúcha passou boa parte da década anterior na Europa e nos Estados Unidos com o então marido João Gilberto -, a sensação é de redescoberta do Brasil. O exílio, mais uma vez, acabou. Rosa amarela, é verdade, foi lançado há dois anos no Japão, pela gravadora Omagatoki. Que bancou toda a produção. Só assim Miúcha pôde voltar a gravar no país. Querelas do Brasil. Mas não tem grilo não que a gente vai levando. Ou traduzindo a explicação da cantora na apresentação de Rosa amarela. Escondida atrás de sua máquina de escrever elétrica, Miúcha arrisca: um disco não se explica. Antes, se escuta, se sente. Exatamente como a pequerrucha Heloísa dos olhos felizes.


- Por que você ficou dez anos sem gravar?

- Porque os únicos projetos que surgiam eram de pot-pourris de Bossa Nova. Aquela coisa de um disco feito todo em cinco dias. Não dava, né?


- E como é que você se sentia?

- Eu me sentia castrada. E a história era sempre a mesma. A de que a música que o povo quer escutar é outra. Não concordo. O que acontece é que determinados segmentos musicais são mais trabalhados do que outros. Veja o caso do Lenine, por exemplo. Um artista fantástico que só foi descoberto pelas gravadoras agora. Muito tarde. A história do Lenine vem lá do bloco

Segura a coisa que eu chego lá , de Olinda, há mais de uma década. E ele já era este Lenine...


- Nestes dez anos em que não gravou no país você esteve longe do Brasil?

- Ao contrário. Tenho viajado muito e participei de projetos que me deram outra visão do país. Por um lado, fiz o Vitrines , que me levou a lugares como São Bernardo do Campo. Por outro, pego minha mochila, levo minhas partituras e me embrenho em locais como Pirinópolis, Alto do Paraíso, Chapada dos Veadeiros. Aliás, o que tem de maluco nestes lugares, é um luxo!

(risos). Nos dois casos há um público absolutamente carente de música popular brasileira. Aliás, minha percepção é de que o Brasil anda carente de música popular brasileira. Aquela questão de que "o Brazil não conhece o Brasil" é cada vez mais urgente.


- A própria história da gravação de Rosa amarela mostra isso ...

- É engraçado porque foi preciso que os japoneses decidissem bancar o disco para que eu lançasse um CD no Brasil. A única condição deles é que eu lançasse primeiro no Japão, o que aconteceu há dois anos.


- E como surgiu o interesse dos japoneses?

- Como todo mundo sabe, eles adoram música brasileira. Fiz uma turnê lá em 96 e, seis meses depois, o disco já estava lançado. Voltei para shows e foi uma loucura.


- E agora a gente até pode achar um CD seu nas lojas de discos ...

- Antes só tinham as coletâneas, os "acervos". Os discos com o Tom, por exemplo, só consigo achar na versão americana. Que é hilária. O encarte diz que sou muito talentosa e fiz dois discos: um com o Antônio Carlos Jobim e outro com seu filho, o Tom. (riso). Não dá, né?


- Rosa amarela é dedicado ao Tom. As gravações e o show que vocês fizeram no Canecão e depois em Buenos Aires e Roma devem trazer boas recordações...

- Nosso primeiro disco foi dedicado ao Radamés (Gnatalli). E aí a primeira lembrança é de nossos encontros no Lucas de tardezinha. Depois me recordo dos ensaios, um sonho! E do Tom espantado porque eu conhecia tudo do Ataulfo Alves. É que a gente cantava muito em casa. Éramos sete irmãos, quatro meninas e três meninos. Logo formamos um coro. E as meninas imitavam as pastoras dos discos do Ataulfo...


- Maninha lembra bem esta época, né?

- O Vinícius mexia muito com o Chico por causa de Maninha. Como ele freqüentava nossa casa na Pacaembu, dizia que o Chico era um grandissíssimo mentiroso. Não havia jaqueira nenhuma, muito menos porão (risos). Mas acho que esta música mostra bem aquele mistério que é o mundo das crianças...


- Seus pais encaravam bem esta família dó-ré-mi?

- De jeito nenhum (risos). Enquanto nós nos esguelávamos no carramanchão da Pacaembu cantando Noite de luar para os namorados que passavam na rua, tudo bem. Mas quando ensaiamos uma profissionalização, mamãe não achou a menor graça.


- Como assim?

- Papai (o sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda) era um boêmio. E vivia levando pito da

mamãe. Um dia, ou por não querer ir sozinho ou por querer levar um pito duplo, me carregou com ele para a "Cave", uma boate da moda em São Paulo. Eu já tinha em casa Canção de meu bem e as músicas de Vinícius para Orfeu da Conceição. Resultado: cheguei na "Cave", fui para o palco e cantei tudinho....


- E...

- Dois dias depois saiu uma notinha em um jornal. Minha mãe apareceu com uma vassoura e sobrou para nós dois (risos). Mas não era só comigo não. O Chico cantou no rádio, pela primeira vez, escondido dela.


- E logo depois você foi morar no exterior...

- Ganhei uma bolsa e fui estudar História da Arte na Sorbonne. Mas já estava mal-intencionada. Tanto que levei meu violão. E também os primeiros discos da Bossa Nova. Ficava ouvindo João (Gilberto) e suspirando: um dia vou me casar com este homem! Pois não é que o diabo ouviu? (risos)


- E você conheceu o João na França, né?

- Foi hilário. Em Paris fiquei próxima do grupo dos estudantes latino-americanos. Íamos sempre para uma daquelas boates baratas de Saint-Germain, a La Candelaria, onde as estrelas eram Violeta Parra e Los Incas. Nesta época eu e Dudu do Banjo resolvemos partir para a Itália

e Grécia cantando e passando o chapéu na rua. E o João estava nos grandes teatros. Nós sempre tentávamos assistí-lo e nunca conseguíamos. Até que um dia ele apareceu de surpresa no La Candelaria, para conhecer a Violeta...


- E acabou encontrando você...

- Pois é. Alguém disse que ele precisava ver a chica brasileira que cantava Bossa Nova. Ele ficou me olhando por uma fresta e eu conversei uns 10 minutos com ele sem saber quem era. Dali sairíamos no mesmo carro com um monte de gente. Ele então me propôs: quando o carro der a primeira parada, vamos sair correndo? E eu, envergonhadíssima, sabendo que ia pagar o maior mico! O resultado é que sumimos e as pessoas ficaram perplexas. Logo estávamos namorando...


- Namorar o João devia ser estranhíssimo...

- Claro (risos)! Era muito doido. E eu era sua maior tiete. Uma vez preparei uma noite romântica, quis levá-lo em um restaurante. E ele, já naquela época, odiava restaurantes. Pensei então no óbvio: crepe suzette e fondue. Quando o garçom acendeu o fogo ele quase teve um troço: "pára com isso que vai incendiar tudo!" (risos)


- E vocês foram logo para os Estados Unidos, né?

- E lá virei datilógrafa em um edifício na Madison Square. Obriguei o João a escrever uma carta, que ele estava me contratando como secretária. Mandei para o Brasil, mas não colou muito. Alguém me dedou e foi um Deus-nos-acuda. Pedimos então ao Jorge Amado, que tinha sido padrinho do primeiro casamento do João e era muito amigo do papai, para escrever uma carta recomendando o João...


- Esta correspondência deve ser hilária...

- E era. Jorge dizia que o João, como todo músico, era meio maluco, mas que era boa gente. Aquela solidariedade típica de baiano. Resultado: João se divorciou da Astrid (Gilberto), nos casamos e ficamos por lá...


- E você deixou o canto de lado por um bom tempo...

- Mas lá descobri que não faço questão de ser cantora. O que adoro é estudar violão, estudar flauta. Preciso é da companhia da música, sempre. E viver com o João estes anos todos foi a maior formação musical de minha vida.


- Aí vieram as parcerias com o Tom, o musical Os Saltimbancos e um longo silêncio. Não dá vontade de ir embora para o Japão?


- Acho que tenho preguiça de sair do país. Rosa amarela, como disse, não deixa de ser uma descoberta de um novo Brasil. Que as pessoas não conhecem, formado por uma enorme massa que não tem grana para ir às casas de espetáculo, mas que sabe cantar Tom, Vinícius, Ary, Custódio. É um Brasil riquíssimo, por trás das vitrines.


- Miúcha, você está em paz?

- Estou parando de fumar, minha voz está mais bonita, os amigos estão próximos, tenho estudado muito e percebido que a música, por si só, contém algo de fé. Estou, sim, em paz.


RETRATOS DO BRASIL

(as músicas de Rosa amarela, faixa a faixa)


Cabrochinha - uma das duas inéditas, composição de Maurício Carrilho e Paulo César Pinheiro. Bem-humorada e moderníssima, para Miúcha é uma versão carioca de Jackson do Pandeiro, sem esquecer das releituras do Cascabulho.


João e Maria - o clássico de Chico Buarque acabara de ser composto e entraria no CD Miúcha e Antonio Carlos Jobim. Mas Aloysio de Oliveira, produtor do disco, queria algo ainda mais pessoal do irmão de Miúcha. Foi quando ele compôs Maninha ("se lembra quando toda modinha falava de amor/pois nunca mais cantei/ ó maninha/ depois que ele chegou"). Nara Leão acabou gravando João e Maria e agora Miúcha volta à canção.


De você eu gosto - pérola muitas vezes esquecida da dupla Tom Jobim/Aloysio de Oliveira, do início dos anos 60. Por incrível que pareça, é o primeiro dos clássicos da Bossa Nova gravado por Miúcha.


A mesma rosa amarela- canção de Capiba e Carlos Pena Filho que dá título ao CD, faz parte da memória musical de Miúcha. Que já a cantava nos improvisados corais dos irmãos Hollanda no casarão do Pacaembu, em São Paulo.


Doce de coco- Outra antiga paixão da cantora, parceria de Jacob do Bandolim e Hermínio Bello de Carvalho.


Pressentimento - Outra de Hermínio, agora com Elton Medeiros, lembra o tempo em que Miúcha e Cristina imitavam as vozes das pastoras de Ataulfo Alves.


Santo Amaro - Parceria de Luiz Cláudio Ramos com Franklin da Flauta e Aldir Blanc. Choro já gravado por Miúcha em 1980 e presença obrigatória nas turnês japonesas.


Assentamento- composta por Chico para o projeto Terra, de Sebastião Salgado, virou hino do MST e teve sua primeira gravação feita por Miúcha (só os japoneses sabiam disso).


Por causa desta cabocla - Pérola de Ary Barroso e Luiz Peixoto, que volta e meia surgia nos ensaios com Tom Jobim e com Rafael Rabello, com quem Miúcha gravaria um disco.


Choro bandido - a linda pareceria de Chico e Edu Lobo ganha interpretação especialíssima.


Valsa de uma cidade - Ismael Netto e Antônio Maria pedem passagem enquanto Miúcha solta a voz sonhando com um Rio tranqüilo, "leve como um musical da Metro".


Só o tempo- sem mais comentários, uma leitura singular para a obra-prima de Paulinho da Viola (o amor é um segredo/ e sempre chega em silêncio/como a luz no amanhecer")


Querelas do Brasil - Não por acaso esta composição de Maurício Tapajós e Aldir Blanc fecha o disco. Foi a partir da frase-encerramento de Tom em Antonio Carlos Jobim e Miúcha - "o Brazil não conhece o Brasil" - que a dupla compôs a música. Que volta agora mais atual do que nunca. (E.G.)